Você está prestes a ler o texto da nossa newsletter mensal, editado por GIULIA DAPERO, traduzido e adaptado por ALINE SALLA. Na última sexta-feira de cada mês, divulgamos uma reflexão filosófica para os leitores da Revista Cuidar.
Por favor, seja paciente e siga-me em um breve voo de fantasia.
Observe esta famosa pintura de Pellizza da Volpedo, esquecendo por um momento o contexto real ao qual ela se refere.
Lutas de classes, trabalhadores e todo o resto: nada disso está no voo da fantasia que estamos embarcando.
Só há homens e mulheres caminhando aqui .
Um grupo avança em direção ao ponto mais iluminado da pintura.
Na linha de frente: um homem adulto, um mais velho e uma mulher descalça e hesitante , segurando uma criança nua nos braços.
Atrás deles, muitos os seguem , mas são desconfiados e cuidadosos para manter distância.

A luz para a qual caminham, porém, é para todos : mesmo para aqueles que estão descalços, ou não estão “completamente convencidos” ; mesmo para as novas gerações , independentemente das ” roupas uniformes ” que um dia usarão.
O homem no centro lidera a todos com sua mera presença , calmo e digno.

Com roupas de pobre , mas postura de rico , ele sacode nossas grades mentais e nos faz querer lhe fazer a mesma pergunta que a Lagarta fez a Alice no País das Maravilhas:
O que serias tu?

E assim voamos, voamos novamente.
E vamos tentar fingir que somos esse “ intermediário “, não mais pobres, mas ainda não ricos.
Pessoas do Meio
No nosso mundo do Cuidado esse “ ser de conjunção ” pertence a muitas pessoas que nós conhecemos.
Pessoas que sabem que CUIDAR, antes de ser uma profissão, é uma condição existencial e interior .
Pessoas que sabem que podemos aprender com todos, porque as fronteiras entre profissões, entre quem é cuidado e quem cuida, entre dentro e fora, existem, mas são mais fluidas e sutis do que pensamos.
Pessoas que sabem que é na vida cotidiana – e muitas vezes em pessoas ou coisas que tomamos como certas – que reside a possibilidade de concretizar o Cuidar e até mesmo de descrevê-lo.
Agosto de CUIDAR
É disso que falam os artigos da Revista Cuidar neste mês, frutos do olhar atento e do coração generoso de autores que transformam palavras em cuidado. Cada texto é um convite a mergulhar nas sutilezas da vida em ILPI, onde o cotidiano revela vínculos, fragilidades e alegrias escondidas. Esses autores não apenas compartilham conhecimento: eles nos lembram que cuidar é tocar emoções, dar voz ao silêncio, celebrar a vida em seus detalhes mais delicados. A cada linha, eles deixam impresso o respeito, a ternura e a humanidade que sustentam o verdadeiro ato de cuidar.
- Assim é no artigo de Mayara Regina Martins Xavier, em “Reviver emoções, manter-se ativo: a importância das atividades significativas no envelhecimento, mesmo em contextos de fragilidade nas ILPI”, que nos lembra como as emoções e o movimento mantêm a vida pulsando, mesmo quando o corpo já não responde com a mesma força.
- Assim é no texto de Arlete Portella Fontes, em “A morte como experiência compartilhada em ILPI”, que convida a olhar a finitude como parte da vida comum, trazendo humanidade e partilha a um tema tantas vezes silenciado.
- Assim é no relato de Alessandra Tieppo, “Mexa o corpo com alegria: artes marciais para pessoas idosas moradoras de ILPI”, que mostra como disciplina e alegria podem caminhar juntas, trazendo vitalidade e pertencimento.
- Assim é nos artigos inspirados em Alexandre Kalache e Letizia Espanoli: “Nós também somos pessoas, não somos apenas cuidadores”, e Cuidar de quem cuida: um chamado urgente às ILPI e seus profissionais, que lembra com firmeza: quem cuida também precisa ser cuidado, reconhecido e respeitado.
- Assim é na reflexão de Nivia Pires Collavitti, “ILPI – Você está pronto para comprar este serviço?”, que ilumina as sutilezas desse universo, ressaltando que a escolha de uma ILPI deve ser pautada pelo respeito, pela empatia e pela valorização da dignidade da pessoa idosa e no acolhimento familiar e profissional.
- Assim é no artigo de Aline Salla, Christine Abdalla e Karla Giacomin, “ILPI não é hospital, hospital não é ILPI – o cuidado que precisa ser (re)conhecido”, destaca que, infelizmente, muitas Instituições ainda replicam modelos hospitalares ou asilares, com restrições de visitas, proibições de saídas e uso de contenções físicas e químicas. Essas práticas violam a legislação vigente, que assegura o direito humano à liberdade e à convivência.
- Assim é também no texto de Mariana Lopes, “Nutrição e cuidados paliativos”, que revela como a alimentação pode ser um gesto de dignidade até o fim da vida, nutrindo corpo e alma no cuidado paliativo.
- Assim é na contribuição de Thaís Teixeira, “A transição para a ILPI: mais que mudança de endereço”, que mostra a delicadeza desse processo, onde o que está em jogo não é apenas um lugar físico, mas identidade, vínculos e pertencimento.
E, claro, assim é em todos os demais textos que não estão listados aqui: são três artigos semanais que ofertamos para vocês, nossos queridos leitores.
Então… O que somos?
Já o dissemos nas primeiras newsletters: o CUIDAR gosta das zonas de fronteira e das pessoas em trânsito , onde os limites entre o profissional e o familiar se confundem e onde, para alguns, os papéis se invertem ou se entrelaçam irremediavelmente .
Estes últimos provavelmente seriam os guias, se aquela pintura tivesse sido feita pelo CUIDAR.
E seguindo-os, todas as pessoas que, em diversas capacidades, gravitam dentro ou ao redor das ILPI e do cuidado com as pessoas idosas de forma mais geral.
Juntos no caminho que leva na direção que tantas vozes desejam: recursos adequados, para respostas adequadas às necessidades complexas de cuidados.
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