Caros leitores da Revista Cuidar,

hoje retomamos nossas atividades editoriais, e nada mais justo que o nosso primeiro artigo seja para contar a vocês como foi o MPC Brasil 2026, o Meeting dos Profissionais de Cuidar, realizado nos dias 1 e 2 de outubro, no Sítio Espaço Viva, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

Nas últimas semanas, quase toda a nossa energia foi para esse encontro. Agora que ele aconteceu, queremos fazer o que a Revista sempre fez: contar o mundo das ILPI através das palavras das pessoas que vivem nele. Por isso, este texto foi escrito com a voz de quem esteve lá: as primeiras respostas do formulário de avaliação, que segue aberto até o dia 20 de outubro, e os depoimentos que os participantes nos autorizaram a compartilhar. Quem preferiu não se identificar teve o pedido respeitado, e alguns relatos aparecem sem nome.

Se você esteve lá, venha reviver cada momento. Se foi palestrante, este texto também é um abraço, porque sem você nada disso teria acontecido. E se não pôde ir, saiba que esta história também é sua.

Não estamos sozinhos

Se tivéssemos que resumir o MPC Brasil em uma frase, ela não seria nossa. Viria de quem estava lá.

Uma participante escreveu dizendo que se sentiu honrada em ter “um evento só nosso”, onde “não estamos sozinhos” e “não estamos fazendo errado”. Voltou, nas palavras dela, “mais cheia de esperança”. Maria Rosane de Souza Sério, de uma ILPI filantrópica, falou de “uma forte sensação de pertencimento” e contou que ouvir “as mesmas dúvidas, angústias e preocupações” trouxe “alívio e segurança de que estamos no caminho certo”.

Para quem passa os dias cuidando de pessoas, ouvir isso de outra pessoa que também cuida vale mais do que qualquer aula. Somos pessoas cuidando de pessoas. E ninguém precisa fazer isso sozinho.

Da Itália para o Brasil, pelas mãos da Revista Cuidar

O MPC nasceu na Itália há doze anos, criado por Renato Dapero, a quem homenageamos com carinho. Em 2026, ele atravessou o oceano pelas mãos da Revista Cuidar, em parceria com a Rivista CURA de Giulia Dapero, filha do Renato, da Itália, e com Aline Salla, sobrinha da Tia Valda, e ganhou sua primeira edição brasileira. É um formato inédito no país, que pertence à Revista Cuidar e que vamos repetir.

Nos dias 1 e 2 de outubro, o Sítio Espaço Viva, em meio à natureza, recebeu centenas de pessoas: profissionais de ILPIs filantrópicas, privadas e públicas, acadêmicos, convidados e toda a equipe de organização, da limpeza aos palestrantes. Vieram das cinco regiões do Brasil e também da Itália. Todos no mesmo chão, todos com a mesma voz.

Sem palco, sem hierarquia

A ideia sempre foi colocar na mesma roda quem cuida, quem pesquisa e quem ensina, para aprender e trocar entre colegas em vez de apenas assistir a aulas. Michelle Mitie Mibe de Moraes Coca contou: “Achei que só assistiria as palestras, mas em todas elas tiveram integração entre palestrantes e participantes, o que deixou mais vivo cada momento no MPC!” Larissa de Andrade falou do prazer de estar “em meio a pessoas influentes na área, mas de maneira simples e sem ‘palco’”. E Beltrina Côrte, que conduziu um dos workshops, escreveu que o MPC foi “uma grata surpresa: pelo espaço, acolhimento, humanização e horizontalização das relações”. Aqui, ninguém foi plateia.

A academia sentou ao lado da prática. Marisa Accioly, docente do curso de Gerontologia da USP, destacou que o evento aproximou “a academia dos profissionais que atuam em ILPI”. Mariana Tessarolo viveu o encontro de três jeitos, como palestrante, como apoiadora e como participante, e agradeceu por fazer parte “desse primeiro capítulo de uma história que desejo que seja longa e de muito sucesso”. E Dayse Cavalcante Gomes, de uma ILPI pública, lembrou que as realidades são distintas, mas “estamos vivendo o mesmo propósito de cuidar, com dedicação e amor ao próximo”.

Até quem não trabalha dentro de uma ILPI encontrou o seu lugar. Leila Beatris Dolfini é psicóloga, atende pessoas idosas, famílias e cuidadores, e se sentiu acolhida “desde o primeiro momento”. Ela escreveu:

“Saio dessa vivência com a certeza de que cuidar de quem envelhece é também cuidar de todos que estão ao redor.”

Leila Beatris Dolfini, psicóloga

Dezesseis salas, quatro plenárias, uma só colmeia

Cada pessoa escolheu quatro entre os 16 workshops, um por período, e todos eles deixaram marca em alguém. Aqui estão eles, com as pessoas que os conduziram e o nosso abraço.

Primeiro dia, de manhã

O que as primeiras respostas já dizem

Na pergunta sobre o quanto cada pessoa recomendaria o MPC Brasil a um colega, a nota média foi 9,5, de 0 a 10, e três em cada quatro pessoas deram 10. Entre quem já havia participado de outros eventos da área, mais da metade disse que o MPC foi “muito diferente e melhor”. Os palestrantes foram considerados bem preparados pela grande maioria, e nove em cada dez viram a união entre teoria e prática como equilibrada ou surpreendente. A comunicação antes do evento, o credenciamento, a alimentação, a pontualidade e a van cortesia dos hotéis também receberam boas avaliações da grande maioria.

Muita gente pagou o próprio ingresso, ao lado de quem veio com o apoio da instituição, e isso diz muito sobre a vontade de aprender de quem cuida. Rodrigo Peres, do Lar São Vicente de Paulo, em Franca (SP), falou em “conteúdos que farão diferença para mim, para minha equipe e principalmente para os usuários da nossa ILPI”. A casa dele completou 121 anos de atividade este ano e continua indo atrás de aprender. É assim que a esperança aparece: no cuidado que não para de se renovar. E houve quem tenha sido sacudido, no melhor sentido: um participante contou que o MPC “gritou ao meu coração” para que não negociasse seus valores.

  • A1, Que pessoas somos nós? Amanda Brissi
  • A2, Mindfulness e Humanização. Sara Pezzola e Maristella Bilato, da Itália
  • A3, Doenças Neurodegenerativas nas ILPI. Berenice Werle e Ruth Melo
  • A4, Ajude-me a morrer bem. Laura Barretto e Silvia Bitar

Primeiro dia, à tarde

  • B1, Mergulhe em Mim. Mayara Martins
  • B2, Qualidade em ILPI. Daniela Rebouças, Carla Grossi e Viviani Gomes
  • B3, Editais do Fundo do Idoso. Beltrina Côrte e Cláudia Soares
  • B4, Documentos que protegem. Mariana Tessarolo e Marisa Accioly

Segundo dia, de manhã

  • C1, O cuidado de quem cuida. Larissa de Andrade
  • C2, Do Corpo à Pessoa. Henrique Salmazo
  • C3, O cuidado em Movimento. Rafael Linhares
  • C4, Gestão que olha para as Pessoas. Carla Grossi e Daniela Rebouças

Segundo dia, à tarde

  • D1, Mas você, o que gostaria? Viviani Gomes e Joyce Moraes
  • D2, Nutrição, Social e Educação Física. Ana Paula Alves, Cássio Moraes e Marcela Lino
  • D3, Conexões entre pessoas. Margherita Mizan
  • D4, Rir, Viver e Participar. Carolina Donato

E o que ficou na bagagem? Da dinâmica da mala, no A3, em que nos colocamos no lugar de quem deixa a própria casa para morar em uma ILPI, um relato anônimo guardou que ela “me fez mudar o pensar, a forma de ver o abrigamento”. Vanessa Camargo da Costa Ayub achou o A1 “perfeito”. No A4, alguém lembrou que “cuidados paliativos vai muito além de conforto do morador”, e o B1 foi resumido assim: “Didática, teoria e técnica impecáveis”. Carlos Alberto Del Carro Júnior, do Centro de Acolhida Monsenhor Alonso, em Vitória (ES), saiu do B3 com a próxima tarefa: criar projetos para o Fundo do Idoso, em uma instituição que nunca recebeu esses recursos. Patrícia Raquel de Mattos, da Casa de Amparo Santo Antônio, elogiou a didática e a objetividade do B4.

Maria Rosane definiu o C1 como “uma parada para reflexão e mudança de rota” e já quer iniciar um grupo de escuta para os profissionais. No C3, Ana Carolina Vaz viu uma vivência em que “todos podem e devem ter voz na linha do cuidado”. Dayse levou do C4 métodos de reconhecimento para a equipe. Rafael Pereira Coca guardou do D1 “o diálogo a respeito da finitude e futuro”, e alguém destacou a “comunicação transdisciplinar” do D2. Do D4, Cynthia dos Santos Borges Gaudard disse que foi “visceral. Rico e muito humano”.

E cada dia começou e terminou em roda. No primeiro, Aline Salla abriu com Miriam Ikeda em “ILPI: o protagonismo do cuidado que nasce da vulnerabilidade” com participação especial de Giulia Dapero e o professor Alexandre Kalache e encerrou com Nivia Collavitti em “Em Busca de Nós: Redescobrindo o Sentido de Cuidar nas ILPI”. No segundo, abriu com João Toniolo em “Seja uma Alma, Não Apenas um Papel” com a participação especial de Letizia Espanoli, e fechou com o painel “Nós somos colmeia. Histórias de abelhas que amam as ILPI”, conduzido por Aline Salla e por Mayara Martins, que colocou lado a lado ILPIs privadas (Pedro Moraes e Joyce Moraes), pública (Cláudia Alencar) e filantrópica (Ana Paula Moura). Esse é o retrato do MPC: cada uma com a sua realidade, todas na mesma colmeia. A cada palestrante e a cada pessoa que conduziu uma dessas salas, o nosso abraço e o nosso muito obrigada.

E o que já saiu do papel? Amena Alcantara Ferraz, de uma prefeitura, quer criar em 2027 um processo de educação permanente com as instituições filantrópicas do município, levando os temas discutidos no MPC. Mariana Tessarolo prepara um dia de capacitação para a equipe de gestão fora do ambiente de trabalho, “assim como o MPC”, e vai aplicar uma dinâmica que aprendeu por lá. Graziela Sardá Queiroz Bauer já começou a mudar a forma de abordar os cuidadores no manejo com as pessoas idosas. Nas demais respostas apareceram reuniões com a equipe técnica, revisão de documentos, Plano Individual de Atendimento (PIA), valorização das histórias de vida e políticas de cuidado com quem cuida.

O sítio: valeu o caminho?

Escolhemos um sítio porque queríamos tirar as pessoas da rotina e reuni-las em meio à natureza. Perguntamos se o caminho valeu a pena: cerca de sete em cada dez pessoas disseram que valeu ou valeu muito, e a mesma proporção voltaria ao mesmo local. A natureza e a tranquilidade foram o que mais marcou, seguidas de estar longe da rotina e das telas e do acolhimento da equipe do espaço. Enilmar da Cunha de Carvalho, de Belo Horizonte, falou de “parar a rotina pesada da gestão da ILPI e poder conviver com outras realidades”. E João Marcelo Vasconcelos Ribeiro, diretor do Residencial Diu Vitae, em Cedral (SP), descreveu: “Uma imersão na troca de conhecimento em um ambiente leve e agradável em meio à Natureza.” Cada sugestão que recebemos já está indo para o planejamento da segunda edição, para que o próximo encontro seja ainda melhor.

A próxima edição é de todos nós

A segunda edição do MPC Brasil será nos dias 14 e 15 de outubro de 2027, e a procura já começou: nas primeiras respostas, quase nove em cada dez pessoas querem saber mais e quatro em cada dez já pediram para pré-reservar o lugar. A pré-reserva não é a compra do ingresso, mas quem a faz recebe em primeira mão a oferta especial, com preço promocional exclusivo.

Beltrina Côrte já falou por muita gente: “E que venha o MPC Brasil 2027!” Se você não pôde estar conosco desta vez, venha para a próxima. Se esteve, traga o colega que ficou de fora. E se foi palestrante, saiba que a casa também é sua. O MPC é um projeto que a Revista Cuidar trouxe da Itália para o Brasil e que, já na primeira edição, mostrou a que veio: reuniu gente das cinco regiões do país e da Itália, da academia às ILPIs, em um espaço acolhedor onde todos têm a mesma voz.

Edna Maria de Oliveira, do Lar São Vicente de Paulo de Lucélia, escreveu que “é importante formar uma rede de apoio para questões práticas”. É por aí que queremos caminhar, e isso vai orientar o que publicaremos daqui para frente. E boas-vindas especiais a quem conheceu a Revista Cuidar por causa do MPC: vocês já fazem parte da nossa colmeia.

Nosso agradecimento aos apoios institucionais e patrocinadores que acreditaram em uma primeira edição, Gerifácil, Terça da Serra e Abiê, aos palestrantes, à equipe e a cada participante que atravessou o estado e o país para estar ali. Cynthia dos Santos Borges Gaudard, que está retornando à Gerontologia, disse que o MPC foi “um ótimo reinício”, e nós também estamos retomando, então estamos em boa companhia. Suzana Aparecida dos Santos, enfermeira consultora para ILPIs, em São Paulo, saiu do encontro “com a certeza de que o conhecimento nos transforma, mas é a sensibilidade que nos torna melhores cuidadores”.

Gratidão especial também para quem nos ajudou a construir o MPC no Brasil: Daniela Rebouças e Carla Grossi – Residencial Israelita Albert Einstein, Viviani Gomes – Rede Terça da Serra, Mayara Martins – Abiê Terapias. E a toda equipe do Espaço Viva – Águas Claras: Ana, Eleni, Nereide e equipes.

Fica uma certeza simples, dita por tanta gente de tantos jeitos: somos pessoas cuidando de pessoas, e há esperança. Que cada vez mais possamos florir e nos fortalecer juntos.

Com carinho,

Aline Salla – Revista Cuidar

About the Author: Aline Salla

CEO e Diretora Editorial da Revista Cuidar · Italo-brasileira. Co-fundadora da Frente-ILPI (2020). Ponte entre os sistemas de cuidado do Brasil e da Itália.

Gratidão de coração

Se este artigo foi útil para você, torne-se um assinante e apoie o trabalho da revista CUIDAR.

Caros leitores da Revista Cuidar,

hoje retomamos nossas atividades editoriais, e nada mais justo que o nosso primeiro artigo seja para contar a vocês como foi o MPC Brasil 2026, o Meeting dos Profissionais de Cuidar, realizado nos dias 1 e 2 de outubro, no Sítio Espaço Viva, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

Nas últimas semanas, quase toda a nossa energia foi para esse encontro. Agora que ele aconteceu, queremos fazer o que a Revista sempre fez: contar o mundo das ILPI através das palavras das pessoas que vivem nele. Por isso, este texto foi escrito com a voz de quem esteve lá: as primeiras respostas do formulário de avaliação, que segue aberto até o dia 20 de outubro, e os depoimentos que os participantes nos autorizaram a compartilhar. Quem preferiu não se identificar teve o pedido respeitado, e alguns relatos aparecem sem nome.

Se você esteve lá, venha reviver cada momento. Se foi palestrante, este texto também é um abraço, porque sem você nada disso teria acontecido. E se não pôde ir, saiba que esta história também é sua.

Não estamos sozinhos

Se tivéssemos que resumir o MPC Brasil em uma frase, ela não seria nossa. Viria de quem estava lá.

Uma participante escreveu dizendo que se sentiu honrada em ter “um evento só nosso”, onde “não estamos sozinhos” e “não estamos fazendo errado”. Voltou, nas palavras dela, “mais cheia de esperança”. Maria Rosane de Souza Sério, de uma ILPI filantrópica, falou de “uma forte sensação de pertencimento” e contou que ouvir “as mesmas dúvidas, angústias e preocupações” trouxe “alívio e segurança de que estamos no caminho certo”.

Para quem passa os dias cuidando de pessoas, ouvir isso de outra pessoa que também cuida vale mais do que qualquer aula. Somos pessoas cuidando de pessoas. E ninguém precisa fazer isso sozinho.

Da Itália para o Brasil, pelas mãos da Revista Cuidar

O MPC nasceu na Itália há doze anos, criado por Renato Dapero, a quem homenageamos com carinho. Em 2026, ele atravessou o oceano pelas mãos da Revista Cuidar, em parceria com a Rivista CURA de Giulia Dapero, filha do Renato, da Itália, e com Aline Salla, sobrinha da Tia Valda, e ganhou sua primeira edição brasileira. É um formato inédito no país, que pertence à Revista Cuidar e que vamos repetir.

Nos dias 1 e 2 de outubro, o Sítio Espaço Viva, em meio à natureza, recebeu centenas de pessoas: profissionais de ILPIs filantrópicas, privadas e públicas, acadêmicos, convidados e toda a equipe de organização, da limpeza aos palestrantes. Vieram das cinco regiões do Brasil e também da Itália. Todos no mesmo chão, todos com a mesma voz.

Sem palco, sem hierarquia

A ideia sempre foi colocar na mesma roda quem cuida, quem pesquisa e quem ensina, para aprender e trocar entre colegas em vez de apenas assistir a aulas. Michelle Mitie Mibe de Moraes Coca contou: “Achei que só assistiria as palestras, mas em todas elas tiveram integração entre palestrantes e participantes, o que deixou mais vivo cada momento no MPC!” Larissa de Andrade falou do prazer de estar “em meio a pessoas influentes na área, mas de maneira simples e sem ‘palco’”. E Beltrina Côrte, que conduziu um dos workshops, escreveu que o MPC foi “uma grata surpresa: pelo espaço, acolhimento, humanização e horizontalização das relações”. Aqui, ninguém foi plateia.

A academia sentou ao lado da prática. Marisa Accioly, docente do curso de Gerontologia da USP, destacou que o evento aproximou “a academia dos profissionais que atuam em ILPI”. Mariana Tessarolo viveu o encontro de três jeitos, como palestrante, como apoiadora e como participante, e agradeceu por fazer parte “desse primeiro capítulo de uma história que desejo que seja longa e de muito sucesso”. E Dayse Cavalcante Gomes, de uma ILPI pública, lembrou que as realidades são distintas, mas “estamos vivendo o mesmo propósito de cuidar, com dedicação e amor ao próximo”.

Até quem não trabalha dentro de uma ILPI encontrou o seu lugar. Leila Beatris Dolfini é psicóloga, atende pessoas idosas, famílias e cuidadores, e se sentiu acolhida “desde o primeiro momento”. Ela escreveu:

“Saio dessa vivência com a certeza de que cuidar de quem envelhece é também cuidar de todos que estão ao redor.”

Leila Beatris Dolfini, psicóloga

Dezesseis salas, quatro plenárias, uma só colmeia

Cada pessoa escolheu quatro entre os 16 workshops, um por período, e todos eles deixaram marca em alguém. Aqui estão eles, com as pessoas que os conduziram e o nosso abraço.

Primeiro dia, de manhã

O que as primeiras respostas já dizem

Na pergunta sobre o quanto cada pessoa recomendaria o MPC Brasil a um colega, a nota média foi 9,5, de 0 a 10, e três em cada quatro pessoas deram 10. Entre quem já havia participado de outros eventos da área, mais da metade disse que o MPC foi “muito diferente e melhor”. Os palestrantes foram considerados bem preparados pela grande maioria, e nove em cada dez viram a união entre teoria e prática como equilibrada ou surpreendente. A comunicação antes do evento, o credenciamento, a alimentação, a pontualidade e a van cortesia dos hotéis também receberam boas avaliações da grande maioria.

Muita gente pagou o próprio ingresso, ao lado de quem veio com o apoio da instituição, e isso diz muito sobre a vontade de aprender de quem cuida. Rodrigo Peres, do Lar São Vicente de Paulo, em Franca (SP), falou em “conteúdos que farão diferença para mim, para minha equipe e principalmente para os usuários da nossa ILPI”. A casa dele completou 121 anos de atividade este ano e continua indo atrás de aprender. É assim que a esperança aparece: no cuidado que não para de se renovar. E houve quem tenha sido sacudido, no melhor sentido: um participante contou que o MPC “gritou ao meu coração” para que não negociasse seus valores.

  • A1, Que pessoas somos nós? Amanda Brissi
  • A2, Mindfulness e Humanização. Sara Pezzola e Maristella Bilato, da Itália
  • A3, Doenças Neurodegenerativas nas ILPI. Berenice Werle e Ruth Melo
  • A4, Ajude-me a morrer bem. Laura Barretto e Silvia Bitar

Primeiro dia, à tarde

  • B1, Mergulhe em Mim. Mayara Martins
  • B2, Qualidade em ILPI. Daniela Rebouças, Carla Grossi e Viviani Gomes
  • B3, Editais do Fundo do Idoso. Beltrina Côrte e Cláudia Soares
  • B4, Documentos que protegem. Mariana Tessarolo e Marisa Accioly

Segundo dia, de manhã

  • C1, O cuidado de quem cuida. Larissa de Andrade
  • C2, Do Corpo à Pessoa. Henrique Salmazo
  • C3, O cuidado em Movimento. Rafael Linhares
  • C4, Gestão que olha para as Pessoas. Carla Grossi e Daniela Rebouças

Segundo dia, à tarde

  • D1, Mas você, o que gostaria? Viviani Gomes e Joyce Moraes
  • D2, Nutrição, Social e Educação Física. Ana Paula Alves, Cássio Moraes e Marcela Lino
  • D3, Conexões entre pessoas. Margherita Mizan
  • D4, Rir, Viver e Participar. Carolina Donato

E o que ficou na bagagem? Da dinâmica da mala, no A3, em que nos colocamos no lugar de quem deixa a própria casa para morar em uma ILPI, um relato anônimo guardou que ela “me fez mudar o pensar, a forma de ver o abrigamento”. Vanessa Camargo da Costa Ayub achou o A1 “perfeito”. No A4, alguém lembrou que “cuidados paliativos vai muito além de conforto do morador”, e o B1 foi resumido assim: “Didática, teoria e técnica impecáveis”. Carlos Alberto Del Carro Júnior, do Centro de Acolhida Monsenhor Alonso, em Vitória (ES), saiu do B3 com a próxima tarefa: criar projetos para o Fundo do Idoso, em uma instituição que nunca recebeu esses recursos. Patrícia Raquel de Mattos, da Casa de Amparo Santo Antônio, elogiou a didática e a objetividade do B4.

Maria Rosane definiu o C1 como “uma parada para reflexão e mudança de rota” e já quer iniciar um grupo de escuta para os profissionais. No C3, Ana Carolina Vaz viu uma vivência em que “todos podem e devem ter voz na linha do cuidado”. Dayse levou do C4 métodos de reconhecimento para a equipe. Rafael Pereira Coca guardou do D1 “o diálogo a respeito da finitude e futuro”, e alguém destacou a “comunicação transdisciplinar” do D2. Do D4, Cynthia dos Santos Borges Gaudard disse que foi “visceral. Rico e muito humano”.

E cada dia começou e terminou em roda. No primeiro, Aline Salla abriu com Miriam Ikeda em “ILPI: o protagonismo do cuidado que nasce da vulnerabilidade” com participação especial de Giulia Dapero e o professor Alexandre Kalache e encerrou com Nivia Collavitti em “Em Busca de Nós: Redescobrindo o Sentido de Cuidar nas ILPI”. No segundo, abriu com João Toniolo em “Seja uma Alma, Não Apenas um Papel” com a participação especial de Letizia Espanoli, e fechou com o painel “Nós somos colmeia. Histórias de abelhas que amam as ILPI”, conduzido por Aline Salla e por Mayara Martins, que colocou lado a lado ILPIs privadas (Pedro Moraes e Joyce Moraes), pública (Cláudia Alencar) e filantrópica (Ana Paula Moura). Esse é o retrato do MPC: cada uma com a sua realidade, todas na mesma colmeia. A cada palestrante e a cada pessoa que conduziu uma dessas salas, o nosso abraço e o nosso muito obrigada.

E o que já saiu do papel? Amena Alcantara Ferraz, de uma prefeitura, quer criar em 2027 um processo de educação permanente com as instituições filantrópicas do município, levando os temas discutidos no MPC. Mariana Tessarolo prepara um dia de capacitação para a equipe de gestão fora do ambiente de trabalho, “assim como o MPC”, e vai aplicar uma dinâmica que aprendeu por lá. Graziela Sardá Queiroz Bauer já começou a mudar a forma de abordar os cuidadores no manejo com as pessoas idosas. Nas demais respostas apareceram reuniões com a equipe técnica, revisão de documentos, Plano Individual de Atendimento (PIA), valorização das histórias de vida e políticas de cuidado com quem cuida.

O sítio: valeu o caminho?

Escolhemos um sítio porque queríamos tirar as pessoas da rotina e reuni-las em meio à natureza. Perguntamos se o caminho valeu a pena: cerca de sete em cada dez pessoas disseram que valeu ou valeu muito, e a mesma proporção voltaria ao mesmo local. A natureza e a tranquilidade foram o que mais marcou, seguidas de estar longe da rotina e das telas e do acolhimento da equipe do espaço. Enilmar da Cunha de Carvalho, de Belo Horizonte, falou de “parar a rotina pesada da gestão da ILPI e poder conviver com outras realidades”. E João Marcelo Vasconcelos Ribeiro, diretor do Residencial Diu Vitae, em Cedral (SP), descreveu: “Uma imersão na troca de conhecimento em um ambiente leve e agradável em meio à Natureza.” Cada sugestão que recebemos já está indo para o planejamento da segunda edição, para que o próximo encontro seja ainda melhor.

A próxima edição é de todos nós

A segunda edição do MPC Brasil será nos dias 14 e 15 de outubro de 2027, e a procura já começou: nas primeiras respostas, quase nove em cada dez pessoas querem saber mais e quatro em cada dez já pediram para pré-reservar o lugar. A pré-reserva não é a compra do ingresso, mas quem a faz recebe em primeira mão a oferta especial, com preço promocional exclusivo.

Beltrina Côrte já falou por muita gente: “E que venha o MPC Brasil 2027!” Se você não pôde estar conosco desta vez, venha para a próxima. Se esteve, traga o colega que ficou de fora. E se foi palestrante, saiba que a casa também é sua. O MPC é um projeto que a Revista Cuidar trouxe da Itália para o Brasil e que, já na primeira edição, mostrou a que veio: reuniu gente das cinco regiões do país e da Itália, da academia às ILPIs, em um espaço acolhedor onde todos têm a mesma voz.

Edna Maria de Oliveira, do Lar São Vicente de Paulo de Lucélia, escreveu que “é importante formar uma rede de apoio para questões práticas”. É por aí que queremos caminhar, e isso vai orientar o que publicaremos daqui para frente. E boas-vindas especiais a quem conheceu a Revista Cuidar por causa do MPC: vocês já fazem parte da nossa colmeia.

Nosso agradecimento aos apoios institucionais e patrocinadores que acreditaram em uma primeira edição, Gerifácil, Terça da Serra e Abiê, aos palestrantes, à equipe e a cada participante que atravessou o estado e o país para estar ali. Cynthia dos Santos Borges Gaudard, que está retornando à Gerontologia, disse que o MPC foi “um ótimo reinício”, e nós também estamos retomando, então estamos em boa companhia. Suzana Aparecida dos Santos, enfermeira consultora para ILPIs, em São Paulo, saiu do encontro “com a certeza de que o conhecimento nos transforma, mas é a sensibilidade que nos torna melhores cuidadores”.

Gratidão especial também para quem nos ajudou a construir o MPC no Brasil: Daniela Rebouças e Carla Grossi – Residencial Israelita Albert Einstein, Viviani Gomes – Rede Terça da Serra, Mayara Martins – Abiê Terapias. E a toda equipe do Espaço Viva – Águas Claras: Ana, Eleni, Nereide e equipes.

Fica uma certeza simples, dita por tanta gente de tantos jeitos: somos pessoas cuidando de pessoas, e há esperança. Que cada vez mais possamos florir e nos fortalecer juntos.

Com carinho,

Aline Salla – Revista Cuidar

About the Author: Aline Salla

CEO e Diretora Editorial da Revista Cuidar · Italo-brasileira. Co-fundadora da Frente-ILPI (2020). Ponte entre os sistemas de cuidado do Brasil e da Itália.

Gratidão de coração

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