Caros leitores,

É com grande satisfação que inauguramos esta edição da Revista Cuidar com um artigo assinado pela Dra. Karla Giacomin – “Além dos Muros: Lar ou Prisão?”. Nele, a autora traça um percurso histórico desde as origens medievais do cuidado comunitário até a institucionalização forçada dos asilos na Revolução Industrial, revelando o processo de “docilização” e o controle quase total sobre o corpo e a vida dos residentes.

A metáfora do pássaro na gaiola nos guia por reflexões sobre autonomia e independência, pois mesmo supridos de necessidades básicas, sem poder escolher quando e para onde voar, somos privados de nossa essência. Karla expõe como rotinas homogêneas, barreiras físicas e simbólicas, muros, protocolos rígidos e horários inflexíveis corroem a dignidade e o bem‑estar de quem vive em ILPI e agravam o isolamento, chegando a confundir gestos de comunicação em pessoas com demência.

Associação Cuidadosa

O artigo também lembra que o cuidado é uma via de mão dupla, pois assim como valorizamos a voz e o protagonismo dos idosos, precisamos garantir espaços de escuta, suporte e valorização para quem cuida, sejam profissionais, familiares ou gestores, de modo que o cuidado se renove e se fortaleça.

Por fim, conhecemos práticas transformadoras como rodas de conversa, convivência intergeracional, saídas programadas e conselhos de gestão participativos. Esses exemplos mostram como devolver à ILPI seu lugar na comunidade e, sobretudo, resgatar a autonomia e a alegria de viver de cada residente.

Este texto foi gentilmente solicitado pela Revista Cuidar. Agradecemos profundamente à Dra. Karla Giacomin por aceitar nosso convite e por trazer com sensibilidade e rigor uma visão que desafia muros e protocolos, convidando-nos a construir todos os dias espaços verdadeiramente libertadores e humanos.

Boa leitura!

Associação Cuidadosa

Aline Salla

Fundadora e Diretora Editorial, Revista Cuidar

Instituição total e “docilização” do corpo

Desde a época medieval, a comunidade era um espaço de cuidados. As crianças, os doentes e as pessoas idosas (que eram excepcionais, dada a alta mortalidade por doenças e traumas) eram cuidadas na comunidade e pela comunidade.

As mudanças sociais promovidas pela Revolução Industrial deram início à necessidade de instituições de cuidado. Foram criados os hospitais, os orfanatos para cuidar de crianças órfãs, as escolas, os manicômios e os asilos.

Porém, a história dos asilos remonta à exclusão e à segregação, muito mais do que ao cuidado. Para os asilos iam os indesejáveis da sociedade: mendigos, pessoas com sofrimento mental, com doenças como a hanseníase, pessoas idosas sem vínculos familiares. Além disso, o cuidado à pessoa idosa traz a marca da caridade. Louvável, dada a carência das pessoas que precisavam ser acolhidas, mas sempre houve o risco de confundira pobreza de quem demandava o cuidado com a pobreza do cuidado ofertado.

Por isso, segundo Goffman (1987), os asilos assemelham‐se a “instituições totais”, que pretendem assumir todo o controle sobre as pessoas que moram ali. As instituições totais tampouco cuidam. Elas oprimem, maltratam e impõem regras rígidas (inventário de pertences, proibição de saídas, horários estritos) que fragmentam o sujeito, anulam sua individualidade e infantilizam os residentes, submetendo‐os a rotinas que tolhem a liberdade de ir e vir.

Rotinas homogêneas versus desejos individuais

Estudos qualitativos mostram que a ênfase na coletividade (para facilitar a gestão) acaba por “homogeneizar” a vida das pessoas idosas: escolhas simples (que roupa usar, quando dormir, quando tomar banho, o que comer) são decididas pela instituição, deixando pouco espaço para decisões pessoais.

Um pássaro na gaiola recebe tudo o que precisa para sobreviver: água, comida, abrigo. Mas será que isso basta para ele se sentir verdadeiramente vivo? Por que, ao cuidar, muitas vezes confundimos proteção com limitação?

Assim como os pássaros, nós também nascemos com o desejo de liberdade. Desde pequenos, damos nossos primeiros passos – com os pés ou com rodas – rumo à independência. (Aqui, as rodas representam também quem vive com mobilidade reduzida, e isso amplia nosso olhar para diferentes formas de caminhar pela vida.)

Aprendemos a expressar vontades, a escolher nossos caminhos. Isso é autonomia: a capacidade de decidir por si, mesmo quando é preciso ajuda para executar.

Na velhice, esse desejo de liberdade não desaparece. Uma pessoa idosa pode precisar de apoio para se locomover ou realizar tarefas, mas isso não significa que perdeu o direito de escolher. Sonhos, desejos e preferências continuam vivos. E quando impedimos – por protocolos, regras ou rotinas inflexíveis – as saídas, visitas, passeios ou pequenos gestos de escolha, deixamos de cuidar. Estamos, na verdade, tirando dos residentes o que dá sentido à vida: o poder de decidir sobre ela.

Barreiras físicas e simbólicas “além dos muros”

Cuidar não é prender. É estar junto sem sufocar. É garantir segurança sem apagar o protagonismo. É lembrar, todos os dias, que viver não é apenas estar seguro – é sentir que a vida ainda é sua.

As ILPI podem contar com muros, portões fechados ou checagem de saída, mas o verdadeiro fechamento também é subjetivo: a imposição de horários e atividades, a falta de estímulo ao convívio externo e o preconceito social ampliam a sensação de isolamento e “prisão”. Impedir o toque e o afeto, limitar as risadas, dificultar o acesso da comunidade e das famílias com horários definidos de visita, tudo isso remete ao não-cuidado, mas à instituição total que aprisiona e maltrata.

“Por que, após uma vida inteira de autonomia, tratam‑nos como imaturos?”

quem ainda acredite que uma pessoa que vive um processo demencial não pode ser ouvida porque não sabe o que fala. E esta ideia é generalizada para todos os residentes como se fossem igualmente incapazes de pensar, sentir e falar.

Estamos aqui para lembrar que mesmo uma pessoa com demência avançada continua sentindo como um ser humano. Muitos ficam de olhos fechados, mesmo acordados, o que pode confundir quem está cuidando.  A sensibilidade ao toque, ao cheiro, à música, à delicadeza e à gentileza permanecem. E se lhe faltam palavras é nosso o dever de saber interpretar os gestos da face e do corpo que continuam dizendo muito sobre nossa forma de cuidar.

Consequências na saúde mental e no bem‐estar

A escassez de autonomia correlaciona‐se a níveis mais baixos de qualidade de vida e insatisfação: escalas de qualidade de vida em ILPI apontam que a faceta “autonomia” recebe as notas mais baixas pelos próprios residentes, que relatam insatisfação com a liberdade reduzida e a falta de respeito pelos seus desejos.

Estudos sobre cuidados falam que o tempo destinado ao banho e à alimentação superam de longe o tempo destinado à comunicação com as pessoas. A comunicação deveria estar presente no banho, na alimentação, no estímulo ao lazer e ao convívio. Porém a falta de comunicação e de empatia se traduz em gestos mecânicos ao trocar fraldas, em filas de idosos nus ou seminus aguardando banhos, com seus corpos expostos e com cuidadores assoberbados por tarefas, tarefas, tarefas.

Cuidar de quem cuida

Ao pensar no cuidado, é absolutamente necessário pensar na díade do cuidado: a pessoas que cuida e a pessoa que é cuidada.

Nesse sentido há que se criar espaços de escuta e de cuidado para quem cuida também. Colegiados gestores com a participação da direção, dos profissionais, dos cuidadores, das famílias e dos residentes servem para buscar soluções possíveis que alimentem o ânimo e fortaleçam o cuidado humanizado na ILPI.

Estamos convencidos de que muitas ILPI exercem boas práticas. O concurso sobre a Gentileza nas ILPI trouxe experiências de todo o Brasil, mostrando que é possível fazer diferente.

Rodas de conversa com os residentes, visitas dos residentes às escolas promovendo a intergeracionalidade, saídas da ILPI para realizar desejos dos residentes são possíveis e desejáveis.

Porque lar é onde há respeito, não grades, é importante que a ILPI volte a fazer parte da comunidade. Favorecer a visita dos familiares e amigos, introduzir conselhos de moradores e de gestão, favorecer a flexibilização de horários condizentes com o desejo dos residentes, são exemplos do que pode ser feito para resgatar a autonomia e a alegria dos residentes e transformar medos e preconceitos em oportunidades de convívio. Cuidar de quem cuida passa por investir em oportunidades de crescimento, diálogo e valorização do trabalho. Porque o verdadeiro cuidado liberta e dignifica quem o pratica e quem o recebe.

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About the Author: Karla Giacomin

Médica geriatra, doutora em Ciências da Saúde (PhD), presidente da Associação Cuidadosa, vice-presidente da ILC, consultora da OMS, coordenadora-geral da Frente-ILPI e diretora de redação da Revista Cuidar.

7 Comments

  1. Fernando Potsch 29/06/2025 at 07:37 - Reply

    Como sempre Karla faz uma pintura com cores que provocam e ajudam a modificar nosso olhar sobre essa realidade. Merece destaque a dialética entre MAIS TEMPO EM ATIVIDADES FÍSICAS X TEMPO DE CONVERSA e a CHAMADA pela LIBERDADE E CONSCIÊNCIA 👏👏👏

  2. Nazaré Cardoso 29/06/2025 at 08:10 - Reply

    Nossa muito obrigada Doutora Karla, Aline, revista cuidar por expressar tão precisamente o que a gente pensa e acredita. Que trabalho maravilhoso e tao importante para a nossa sociedade.

  3. Gisele 29/06/2025 at 08:24 - Reply

    Obrigada Dra. Karla por esse artigo com essas reflexões e analogías que conduzem a um divisor de águas na estratégia do cuidar de uma ILPI.
    Gratidão!

  4. Fran Winandy 29/06/2025 at 11:16 - Reply

    Reflexões necessárias: excelente artigo! Acompanho a rotina de uma ILPI e percebo a dificuldade de quem trabalha nela encontrar esse equilíbrio entre cuidado e manutenção da autonomia do idoso.

  5. Sérgio Oliveira 30/06/2025 at 22:54 - Reply

    Como gestor de uma ILPI em São Caetano do Sul – SP há mais de 14 anos, quero agradecer pela reflexão — o tema da autonomia é crucial. Mas confesso que, ao ler a metáfora do “pássaro na gaiola”, me senti desconfortável por não refletir a realidade da maioria das instituições sérias que conheço.

    Aqui, por exemplo, adaptamos os horários de visita não para impor, mas para garantir uma rotina tranquila aos residentes e, ainda assim, acolher a família mesmo fora do horário, se necessário.

    Acredito que toda ILPI deva buscar equilíbrio entre liberdade e organização comunitária — e vejo isso acontecendo sempre aqui: rodas de conversa onde os residentes escolhem o cardápio, saídas programadas para comemorar aniversários, festas na ILPIS , atividades diárias e com horários definidos, espaços de escuta para familiares e equipe.

    Minha preocupação é que, mesmo com boas intenções, o tom pode ser interpretado como estigmatizante e afastar quem está envolvido no cuidado. Precisamos continuar o diálogo, sim, mas de forma construtiva e reconhecendo quem realmente transforma esse ambiente em lar.

    Muito obrigado pela abertura ao debate — e sigo à disposição para trocar experiências!

  6. Daniela Gomes 30/06/2025 at 23:56 - Reply

    Reflexões importantes, mas não posso deixar de questionar a ideia de que viver em uma ILPI seja como estar preso. Para muitos idosos, essas instituições são um refúgio onde encontram cuidado, afeto e dignidade que, por vezes, não podem ser oferecidos em casa devido a limitações reais. É fundamental reconhecer o trabalho árduo e dedicado das equipes que atuam nessas instituições, que buscam oferecer o melhor possível com amor e responsabilidade.

    No entanto, é crucial valorizar os esforços daqueles que trabalham diariamente para garantir o bem-estar dos idosos.

  7. Ana Cláudia 01/07/2025 at 05:37 - Reply

    Ótima reflexão. Infelizmente, isso acontece demais, não só no Brasil, mas em muitos outros países também, e é algo que precisa ser repensado com urgência.

    Até mesmo idosos totalmente lúcidos, mas que não conseguem mais morar sozinhos porque precisam de ajuda com tarefas básicas do dia a dia, acabam sendo submetidos a regras super rígidas. E o pior: os donos dos lugares fazem a gente, como familiares, assinar papéis e seguir as regras deles, sem muito espaço pra questionar.

    Meus pais sempre moraram sozinhos. Eu ligava para a mamãe pra saber se estavam em casa e passava lá sozinha, com as crianças. Era a casa deles, simples assim. Depois que ela faleceu, papai acabou sofrendo uma queda e não tinha mais como ficar sozinho. Procuramos uma casa de repouso e ele aceitou.

    Lendo o texto, parecia até o papai falando: “Por que nos tratam como se fôssemos imaturos?” Foi horrível chegar lá e ver ele triste, e ainda por cima amarrado na cadeira de rodas. Achei um absurdo. A dona veio dizer que era “por segurança”, mas dava pra ver que ela nem sabia o que estava falando, só tentando justificar. Eu sou médica, e estava óbvio que aquilo não fazia o menor sentido. Fico pensando quantas pessoas que não têm conhecimento acabam sendo enganadas.

    Tiramos ele de lá na hora e, graças a Deus, encontramos um lugar muito melhor. Hoje é outra história. Ligo direto pro meu pai e pergunto: “Tá ocupado? Posso passar aí pra te ver?” Ele adora e já fica animado. Eu simplesmente vou. Ninguém tenta esconder nada ou fingir que tudo é perfeito. Sabemos que é uma casa com várias pessoas, e é normal ter uma coisinha fora do lugar às vezes. Mesmo assim, todo mundo lá é super responsável e organizado.

    Não tem essa de esconder a poeira debaixo do tapete. Hoje, papai está muito bem. Mesmo com a mobilidade reduzida, ele tem liberdade. Se quer ir ao restaurante preferido encontrar os amigos, ele mesmo liga pro taxista de confiança da família, que leva e depois traz de volta.

    As ILPIs são importantes, sim. O que não dá é pra aceitar gente despreparada tentando atuar num setor que vai ser cada vez mais essencial pra nossa sociedade.

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7 Comments

  1. Fernando Potsch 29/06/2025 at 07:37 - Reply

    Como sempre Karla faz uma pintura com cores que provocam e ajudam a modificar nosso olhar sobre essa realidade. Merece destaque a dialética entre MAIS TEMPO EM ATIVIDADES FÍSICAS X TEMPO DE CONVERSA e a CHAMADA pela LIBERDADE E CONSCIÊNCIA 👏👏👏

  2. Nazaré Cardoso 29/06/2025 at 08:10 - Reply

    Nossa muito obrigada Doutora Karla, Aline, revista cuidar por expressar tão precisamente o que a gente pensa e acredita. Que trabalho maravilhoso e tao importante para a nossa sociedade.

  3. Gisele 29/06/2025 at 08:24 - Reply

    Obrigada Dra. Karla por esse artigo com essas reflexões e analogías que conduzem a um divisor de águas na estratégia do cuidar de uma ILPI.
    Gratidão!

  4. Fran Winandy 29/06/2025 at 11:16 - Reply

    Reflexões necessárias: excelente artigo! Acompanho a rotina de uma ILPI e percebo a dificuldade de quem trabalha nela encontrar esse equilíbrio entre cuidado e manutenção da autonomia do idoso.

  5. Sérgio Oliveira 30/06/2025 at 22:54 - Reply

    Como gestor de uma ILPI em São Caetano do Sul – SP há mais de 14 anos, quero agradecer pela reflexão — o tema da autonomia é crucial. Mas confesso que, ao ler a metáfora do “pássaro na gaiola”, me senti desconfortável por não refletir a realidade da maioria das instituições sérias que conheço.

    Aqui, por exemplo, adaptamos os horários de visita não para impor, mas para garantir uma rotina tranquila aos residentes e, ainda assim, acolher a família mesmo fora do horário, se necessário.

    Acredito que toda ILPI deva buscar equilíbrio entre liberdade e organização comunitária — e vejo isso acontecendo sempre aqui: rodas de conversa onde os residentes escolhem o cardápio, saídas programadas para comemorar aniversários, festas na ILPIS , atividades diárias e com horários definidos, espaços de escuta para familiares e equipe.

    Minha preocupação é que, mesmo com boas intenções, o tom pode ser interpretado como estigmatizante e afastar quem está envolvido no cuidado. Precisamos continuar o diálogo, sim, mas de forma construtiva e reconhecendo quem realmente transforma esse ambiente em lar.

    Muito obrigado pela abertura ao debate — e sigo à disposição para trocar experiências!

  6. Daniela Gomes 30/06/2025 at 23:56 - Reply

    Reflexões importantes, mas não posso deixar de questionar a ideia de que viver em uma ILPI seja como estar preso. Para muitos idosos, essas instituições são um refúgio onde encontram cuidado, afeto e dignidade que, por vezes, não podem ser oferecidos em casa devido a limitações reais. É fundamental reconhecer o trabalho árduo e dedicado das equipes que atuam nessas instituições, que buscam oferecer o melhor possível com amor e responsabilidade.

    No entanto, é crucial valorizar os esforços daqueles que trabalham diariamente para garantir o bem-estar dos idosos.

  7. Ana Cláudia 01/07/2025 at 05:37 - Reply

    Ótima reflexão. Infelizmente, isso acontece demais, não só no Brasil, mas em muitos outros países também, e é algo que precisa ser repensado com urgência.

    Até mesmo idosos totalmente lúcidos, mas que não conseguem mais morar sozinhos porque precisam de ajuda com tarefas básicas do dia a dia, acabam sendo submetidos a regras super rígidas. E o pior: os donos dos lugares fazem a gente, como familiares, assinar papéis e seguir as regras deles, sem muito espaço pra questionar.

    Meus pais sempre moraram sozinhos. Eu ligava para a mamãe pra saber se estavam em casa e passava lá sozinha, com as crianças. Era a casa deles, simples assim. Depois que ela faleceu, papai acabou sofrendo uma queda e não tinha mais como ficar sozinho. Procuramos uma casa de repouso e ele aceitou.

    Lendo o texto, parecia até o papai falando: “Por que nos tratam como se fôssemos imaturos?” Foi horrível chegar lá e ver ele triste, e ainda por cima amarrado na cadeira de rodas. Achei um absurdo. A dona veio dizer que era “por segurança”, mas dava pra ver que ela nem sabia o que estava falando, só tentando justificar. Eu sou médica, e estava óbvio que aquilo não fazia o menor sentido. Fico pensando quantas pessoas que não têm conhecimento acabam sendo enganadas.

    Tiramos ele de lá na hora e, graças a Deus, encontramos um lugar muito melhor. Hoje é outra história. Ligo direto pro meu pai e pergunto: “Tá ocupado? Posso passar aí pra te ver?” Ele adora e já fica animado. Eu simplesmente vou. Ninguém tenta esconder nada ou fingir que tudo é perfeito. Sabemos que é uma casa com várias pessoas, e é normal ter uma coisinha fora do lugar às vezes. Mesmo assim, todo mundo lá é super responsável e organizado.

    Não tem essa de esconder a poeira debaixo do tapete. Hoje, papai está muito bem. Mesmo com a mobilidade reduzida, ele tem liberdade. Se quer ir ao restaurante preferido encontrar os amigos, ele mesmo liga pro taxista de confiança da família, que leva e depois traz de volta.

    As ILPIs são importantes, sim. O que não dá é pra aceitar gente despreparada tentando atuar num setor que vai ser cada vez mais essencial pra nossa sociedade.

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