Existe um tipo de cuidado que quase nunca vira notícia.

Não tem antes e depois. Não cabe em quinze segundos de vídeo. Não gera comentário, não viraliza, não emociona quem passa rápido pela tela.

É o cuidado de quem segura a mão de alguém no fim da vida.

O Cuidado Que Ninguém Filma

Numa ILPI, isso acontece quase todos os dias, silenciosamente. Enquanto o mundo lá fora se ocupa em noticiar o que deu errado, dentro das instituições de longa permanência, profissionais continuam fazendo o que sempre fizeram: cuidando até o fim, e muitas vezes, além dele.

Não existe protocolo que dê conta disso sozinho. Existe presença. Existe alguém que decide, todos os dias, continuar ali, mesmo sabendo o quanto aquilo custa.

Os Gestos Pequenos Que Sustentam a Dignidade

Tem quem passe batom numa senhora que sempre gostou de se arrumar, mesmo sabendo que aquele pode ser o último dia. Tem quem escolha, com cuidado, a música que um senhor amava ouvir, porque as palavras já não chegam mais, mas a melodia ainda alcança. Tem quem apenas segure uma mão, em silêncio, porque às vezes é só isso que resta pra dizer: você não está sozinho.

São gestos pequenos. Mas são eles que devolvem a pessoa a si mesma, até o fim. É isso que separa cuidar de apenas assistir.

O Peso Que Ninguém Pergunta Se Você Carrega

Ninguém ensina isso num curso técnico. Aprende-se vivendo, entre um plantão e outro, entre uma perda e a próxima. E é aí que mora uma das partes mais invisíveis do trabalho em ILPI: o profissional que acompanha, muitas vezes, centenas de pessoas até o suspiro final, e que raramente é perguntado como ele mesmo está lidando com isso.

Existe uma dor que não é da família. É de quem cuida. E ela também precisa de espaço pra existir.

Numa época em que o que sempre ganha destaque são as notícias ruins, os desencontros, os erros, é fácil esquecer do outro lado: de quem, todos os dias, dá o seu melhor, muitas vezes sem ser visto, sem ser perguntado, sem tempo nem pra processar o que acabou de viver.

Pedir Ajuda É Rigor Técnico

Existe uma ideia perigosa que ainda circula entre equipes de cuidado: a de que precisar de apoio é sinal de fraqueza, e que um bom profissional deveria dar conta sozinho.

Não é verdade, e talvez seja hora de dizer isso com todas as letras.

Pedir ajuda não é fraqueza. É rigor técnico. Chamar um colega pra olhar junto, pra dividir uma decisão difícil, pra simplesmente dizer “eu também não sei lidar com isso sozinho hoje”, não diminui ninguém. Pelo contrário: é exatamente isso que a complexidade de cuidar de vidas exige. Nenhum profissional sério enfrenta sozinho aquilo que, por natureza, foi feito pra ser enfrentado em equipe.

Um Espaço Criado Para Isso

É por isso que o Meeting do Profissionais de Cuidar – o  MPC existe há 12 anos na Itália e está chegando para nós no Brasil.

Não como mais um evento no calendário, mas como um espaço criado justamente para acolher quem atua nesse território difícil e essencial.

No dia 01 de outubro, o workshop A4 “Ajude-me a Morrer Bem” vai abrir espaço pra essa conversa que a maioria evita ter. Maria Laura Barretto e Silvia Bitar, do Residencial Albert Einstein, vão conduzir um encontro sobre testemunhos reais de cuidado no fim da vida, sobre cuidados paliativos na prática do dia a dia institucional, e sobre algo que quase nunca é dito em voz alta: que quem acompanha também sofre, também duvida, também precisa de colo.

Você Não Precisa Carregar Isso Sozinho

Se você já segurou a mão de alguém no último momento, se já vestiu alguém com carinho sabendo que seria a última vez, se já voltou pra casa carregando um silêncio que ninguém em casa entenderia, esse espaço foi pensado pra você.

Não pra te ensinar a sentir menos. Mas pra te lembrar que você não precisa carregar isso sozinho.

Porque cuidar até o último suspiro também é, silenciosamente, um dos atos mais bonitos que existem. E quem faz isso, todos os dias, sem manchete nenhuma, merece ser visto, acolhido, e lembrado de que sim, o que você faz importa.

Nos Vemos em Outubro

Se esse texto tocou em algo que você carrega, talvez seja hora de transformar isso em encontro.

Nos vemos nos dias 01 e 02 de outubro, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Dois dias dedicados a quem cuida, com certificado internacional de participação, apoio institucional das instituições mais renomadas do país, e workshops conduzidos por grandes profissionais que atuam no universo das ILPI. Café da manhã e almoço estão inclusos nos dois dias.

O ingresso em grupo pode ser parcelado em até 10x de R$72,90 por pessoa, mais taxas da Even3. As inscrições encerram no dia 10 de setembro.

Te esperamos no MPC Brasil.

(Hospedagem e transporte não inclusos) 

Artigos assinados por profissionais que são referências nacionais e internacionais, parceiros da ©Revista Cuidar.

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