Por: ANNA GABURRI e LETIZIA ESPANOLI – Sente-mente®
Artigo autorizado, traduzido em parceria com ALINE SALLA – Revista Cuidar.

No setor das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), os líderes se deparam diariamente com desafios complexos relacionados ao estresse, ao desgaste emocional e ao risco de burnout entre os profissionais. A natureza do trabalho, caracterizada por relações profundas, responsabilidades elevadas e condições de trabalho frequentemente intensas, torna essencial a adoção de estratégias eficazes de gestão do estresse e prevenção do burnout.

1. Fatores de estresse específicos do setor das ILPI

Para gerenciar o estresse de forma eficaz, é essencial primeiro reconhecer suas causas. No setor das ILPI, alguns fatores de estresse são particularmente recorrentes e exigem atenção direcionada, entre eles:

  • Elevada responsabilidade: os profissionais da relação e do cuidado são responsáveis pela qualidade da assistência, pela segurança dos idosos, pela eficácia e eficiência operacional;

  • Recursos: falta de pessoal, alta rotatividade, equipamentos deteriorados e ausência de inovação podem aumentar a pressão;

  • Ambiguidade: comunicações confusas entre direção, equipe e famílias geram frustração;

  • Procedimentos e plano de trabalho rígidos: protocolos ultrapassados e planos de trabalho engessados, com tempos determinados pelo “minutário”, levam os profissionais a se sentirem presos;

    Associação Cuidadosa
  • Gestão de conflitos: relações difíceis com colegas, familiares e até entre funcionários podem criar tensões constantes;

  • Baixa “Beleza Terapêutica”: ambientes pouco acolhedores geram risco, pois são considerados um “fator sentinela” para maus-tratos verbais e físicos (citação de Letizia Espanoli).

Fatores de estresse emocionais

  • Empatia e carga emocional: a relação com os idosos e seus familiares pode ser emocionalmente impactante, gerando sentimentos de impotência, desconforto ou compassion fatigue (fadiga por compaixão);

  • Complexidade: as necessidades dos residentes aumentam, mas o tempo para atendê-los parece cada vez menor. E não sobra espaço para os desejos;

  • Situações de emergência: imprevistos diários, doenças súbitas ou óbitos elevam os níveis de estresse;

  • Senso de responsabilidade moral: o desejo de oferecer o melhor possível pode se transformar em pressão e sensação de fracasso diante das demandas de tempo.

Fatores de estresse individuais

  • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional: longos turnos, disponibilidade constante e responsabilidades comprometem o bem-estar;

  • Capacidade de gestão do estresse: ausência de ferramentas adequadas para lidar com o estresse, tanto para líderes quanto para os profissionais do cuidado e da relação.

2. Técnicas de gestão do estresse

As emoções não são o problema, mas a chave.

Como líder – e também como profissional de cuidado – você já sentiu o peso de trabalhar em uma realidade que parece ingovernável? Já viveu um dia em que tudo parecia correr bem, mas bastou um instante para o equilíbrio desabar? O residente que recusa o cuidado, o colega que parece não colaborar, a direção que toma decisões não compreendidas ou não aceitas. E, de repente, você se sente frustrado, impotente, irritado, exausto.

Então se pergunta: “Por que me sinto assim?”

Pode parecer que o problema sejam as emoções: raiva, tristeza, decepção, sentimento de injustiça. Mas, na verdade, elas são mensageiras preciosas. Elas falam do que importa para nós, do que gostaríamos de mudar, do que nos toca profundamente. O desafio não é eliminar as emoções, mas ouvi-las e usá-las como ferramentas para melhorar a qualidade do cuidado e das relações.

Daniel Goleman, estudioso da inteligência emocional (IE), diz claramente: as emoções não são o problema. O problema é não saber ouvi-las e transformá-las.

Treinando a agilidade emocional

A inteligência emocional é uma competência fundamental nas profissões de cuidado e precisa ser exercitada em todos os níveis da organização. Ela se compõe de quatro elementos principais:

  1. Percepção emocional: reconhecer as emoções em nós mesmos e nos outros (“O que sinto quando…?” “Qual emoção o outro pode estar sentindo?”);

  2. Compreensão emocional: entender o significado da emoção, perguntando-se, por exemplo, se a raiva do outro pode ser medo ou se a própria frustração nasce da sensação de não ser ouvido;

  3. Regulação emocional: gerir a emoção de forma que ela ajude, sem reprimi-la nem deixá-la explodir (“Como posso transformar minha reação em uma ação construtiva?”);

  4. Uso das emoções: canalizar a emoção como energia para melhorar a comunicação e a relação (“Como posso usar minha empatia para favorecer o bem-estar do residente e da minha equipe?”).

Exemplos no dia a dia das ILPI

  • Quando um residente não faz o que esperamos: se a única medida de sucesso for cumprir o plano de trabalho (quantos banhos foram feitos), a recusa vira fracasso. Mas, se a equipe aprender a se perguntar o que há por trás dessa resistência, o comportamento do residente passa a ser visto como comunicação de uma necessidade ou desejo. O time pode então tornar o banho um momento agradável, criando passos para oferecer um “banho gentil”.

  • Quando um colega parece irritante ou distante: talvez ele esteja cansado, estressado ou lidando com algo que não sabemos. E se, antes de julgar, perguntássemos: “Como você está?”

  • Quando a direção toma decisões que o profissional não concorda: a frustração pode levar à queixa ou ao fechamento. Mas, se transformada em diálogo e transparência, pode gerar espaços de confronto saudável e melhoria.

Estudos mostram que regular as emoções fortalece o córtex pré-frontal — a área que ajuda a tomar decisões racionais e enfrentar desafios com equilíbrio. Já o cortisol, o hormônio do estresse, quando não é gerido, nos torna menos lúcidos e mais reativos.

A consciência emocional reduz a ansiedade, aumenta a resiliência e nos torna mais eficazes nas relações de cuidado.

Exercício prático para líderes e coordenadores:

  • Pare e escute → “O que estou sentindo agora?”

  • Identifique a emoção → “De onde vem essa emoção?”

  • Use como guia → “O que posso fazer para transformá-la em uma ação útil?”

Depois de experimentar, conduza o time em um treino semelhante.

Compassion fatigue: um olhar atento da liderança

Imagine seus profissionais após um turno intenso: responderam a pedidos constantes, acalmaram residentes, aliviaram dores, acompanharam alguém até o último suspiro. Ao parar, podem sentir um cansaço que vai além do corpo — é a alma que está exausta.

Essa condição é a compassion fatigue (fadiga por compaixão). Diferente do burnout, que vem do excesso de trabalho, a compassion fatigue nasce da exposição contínua ao sofrimento alheio.

Sintomas de alerta

  • Cognitivos: dificuldade de concentração, apatia, sensação de distanciamento;

  • Emocionais: tristeza, irritabilidade, raiva sem motivo aparente;

  • Físicos: fadiga crônica, insônia, sintomas psicossomáticos;

  • Comportamentais: isolamento, baixa tolerância, afastamento emocional.

Essa fadiga pode levar à perda de interesse pelo trabalho e reduzir a qualidade do cuidado.

Estratégias de enfrentamento

  • Praticar a autocompaixão: assim como se oferece compaixão aos outros, é essencial ser gentil consigo mesmo. Permitir pausas, reconhecer emoções, sem culpa;

  • Momentos de consciência: práticas de atenção plena ajudam a reduzir o estresse e a lidar com emoções sem julgamentos;

  • Buscar apoio: compartilhar sentimentos com colegas ou supervisores alivia o peso emocional e fortalece o apoio mútuo;

  • Reservar tempo para si: atividades físicas, caminhadas, leitura ou hobbies recarregam as energias e mantêm o equilíbrio.

Treinar a resiliência é fundamental. Pesquisas mostram que ela pode ser desenvolvida e funciona como antídoto contra a compassion fatigue, fortalecendo a saúde emocional da equipe e criando um ambiente mais humano e sustentável.

Do automatismo à transformação

Você já sentiu que seu trabalho se reduziu a uma lista de tarefas? Que o verdadeiro sentido do cuidado se perdeu entre plantões exaustivos e protocolos rígidos?

Se esse pensamento lhe ocorre – “Não era esse o trabalho que sonhei. Eu queria fazer a diferença, mas aqui me sinto apenas uma engrenagem que se quebra a cada dia” – talvez seja hora de mudar o modelo mental.

Caminho da transformação

  • Fragilidade → Resiliência: criar momentos de descompressão e espaços de escuta;

  • Ansiedade → Competências emocionais: introduzir práticas de escuta consciente e transformar as passagens de plantão em momentos de partilha;

  • Não-linearidade → Adaptabilidade: cada residente é único; apoiar a equipe na leitura dos sinais e revisão de protocolos rígidos;

  • Incompreensibilidade → Transparência e intuição: melhorar a comunicação da direção, valorizar a intuição dos profissionais no processo de cuidado.

Com treinamentos, supervisão e consultoria adequados, muitas ILPI têm se renovado:

  • Profissionais mais envolvidos e menos estressados;

  • Famílias mais integradas, com menos conflitos;

  • Melhora na qualidade de vida dos residentes, com cuidado mais humano e personalizado.

3. Implementar programas para desenvolver o poder da gentileza no trabalho

“A gentileza não apenas melhora as relações humanas, mas tem efeito biológico tangível, ajudando a reduzir o impacto negativo do estresse no corpo.” — Steven W. Cove, 2022

Pesquisas científicas mostram que um ambiente baseado na gentileza reduz o estresse, melhora o bem-estar mental e aumenta a produtividade. Segundo a Harvard Business Review, empresas que promovem gentileza têm equipes mais coesas e menor rotatividade.

Práticas de gentileza

  • Dar feedback positivo: reconhecer bons trabalhos diminui o estresse e aumenta a satisfação;

  • Formação e consultoria contínuas: oferecer workshops e treinamentos sobre empatia e habilidades relacionais;

  • Políticas de bem-estar: flexibilizar horários e criar momentos de apoio emocional;

  • Espaços de escuta: permitir que os profissionais compartilhem dificuldades em segurança;

  • Ambiente de inovação: estimular iniciativas da equipe e reconhecer conquistas;

  • Tempo de qualidade com a equipe: ouvir cada colaborador e reforçar os objetivos comuns.

Se você quer realmente fazer a diferença na vida dos residentes e da sua equipe, é hora de agir. Não espere que o estresse se transforme em burnout: comece hoje a construir um ambiente de cuidado mais humano, resiliente e sustentável.

Invista no desenvolvimento da agilidade emocional, promova uma cultura de gentileza e implemente estratégias eficazes de gestão do estresse.

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