Promover qualidade de vida em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) exige ir além do cuidado assistencial tradicional. A incorporação de práticas que valorizem vínculos, afetividade e sentido de pertencimento tem se mostrado fundamental para um envelhecimento mais digno e humanizado.

Nesse contexto, a Interação Humano-Animal (IHA) surge como uma estratégia complementar promissora. A presença planejada de animais em ILPI pode favorecer bem-estar emocional, socialização e estímulo cognitivo, desde que implementada com critérios técnicos, sanitários e éticos. Este artigo apresenta orientações práticas para gestores e profissionais interessados em adotar essa abordagem de forma segura e responsável.

Benefícios da Interação Humano-Animal para Pessoas Idosas

Estudos nas áreas da Gerontologia e Psicologia da Saúde indicam que o contato com animais pode contribuir para a redução do estresse e para a promoção do bem-estar emocional, por meio da diminuição dos níveis de cortisol e do estímulo à liberação de neurotransmissores associados ao prazer e ao vínculo afetivo.

No contexto das ILPI, a interação estruturada com animais pode gerar benefícios como:

  • Acolhimento emocional: o animal oferece presença e aceitação sem julgamentos, favorecendo sentimentos de segurança e valorização pessoal.
  • Estímulo cognitivo e sensorial: a interação pode evocar memórias afetivas, estimular a comunicação e reduzir apatia, especialmente em pessoas com demência.
  • Ampliação da convivência social: a atividade assistida pode motivar a participação em momentos coletivos, reduzindo o isolamento social.

Esses efeitos devem ser compreendidos como complementares ao cuidado integral, não substituindo intervenções clínicas ou terapêuticas indicadas.

Atividade Assistida por Animais: O que é e o que não é

É fundamental diferenciar ações pontuais da Atividade Assistida por Animais (AAA).

A AAA é uma intervenção planejada, com objetivos voltados ao bem-estar coletivo, conduzida por facilitadores capacitados e baseada em protocolos de segurança.

Associação Cuidadosa

Importante:
A Terapia Assistida por Animais (TAA) possui objetivos clínicos individualizados e deve ser conduzida exclusivamente por profissionais da saúde habilitados.

Seleção e Preparação dos Animais

Nem todo animal está apto a participar de atividades em ILPI. A escolha deve ser criteriosa e técnica.

Critérios essenciais incluem:

  • Avaliação comportamental por médico-veterinário ou profissional especializado;
  • Temperamento previsível, sociável e tolerante ao toque;
  • Treinamento para adaptação ao ambiente institucional (sons, equipamentos, cadeiras de rodas, diferentes padrões de movimento).

Afinidade com pessoas, por si só, não é suficiente. O bem-estar do animal deve ser prioridade absoluta, com sessões de duração limitada e interrupção imediata diante de sinais de estresse.

Segurança Sanitária e Aspectos Regulatórios

A implementação da AAA deve respeitar rigorosamente as normas sanitárias. As ILPI são regidas pela RDC nº 502/2021 da ANVISA, que estabelece princípios de segurança, autonomia e prevenção de riscos à saúde.

Embora a norma não trate especificamente da presença de animais, a atividade deve estar alinhada às boas práticas de biossegurança e sempre validada pela Vigilância Sanitária local, considerando legislações estaduais e municipais.

Cuidados indispensáveis:

  • Prontuário veterinário atualizado (vacinação, vermifugação e controle de ectoparasitas);
  • Restrição de acesso a áreas como cozinhas, refeitórios, postos de enfermagem e quartos de residentes imunossuprimidos;
  • Higienização adequada antes e após as atividades.

Autonomia, Consentimento e Diversidade

A participação dos residentes deve ser voluntária e informada. A instituição deve identificar previamente pessoas com alergias, fobias ou restrições culturais, religiosas ou pessoais.

A presença do animal deve ser sempre uma oferta de cuidado, nunca uma imposição. Respeitar escolhas individuais é condição essencial para que a prática seja verdadeiramente humanizada.

Planejamento e Viabilidade para as ILPI

Antes de iniciar um programa de AAA, recomenda-se que a ILPI avalie:

  • Estrutura física e disponibilidade de equipe;
  • Custos com avaliação veterinária, treinamento e materiais;
  • Possibilidade de parcerias com universidades, ONGs ou projetos especializados, que podem reduzir custos e garantir supervisão técnica.

O acompanhamento contínuo, com registro das atividades e escuta de residentes, familiares e profissionais, permite ajustes e qualificação permanente da prática.

Considerações Finais

A interação com animais, quando planejada de forma ética, segura e responsável, pode se tornar uma importante aliada na promoção do cuidado humanizado em ILPI. Mais do que uma atividade recreativa, trata-se de uma estratégia que valoriza vínculos, estimula a convivência e reconhece a pessoa idosa em sua integralidade.

Ao incorporar práticas como a Atividade Assistida por Animais, as ILPI fortalecem seu papel como espaços de vida, dignidade e pertencimento, onde o cuidado vai além da assistência e se transforma em relação.

E na sua ILPI, como tem sido a experiência com interação humano-animal?

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Artigos assinados por profissionais que são referências nacionais e internacionais, parceiros da ©Revista Cuidar.

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