A história da Revista Cuidar não começa em uma sala de reuniões, mas em uma conexão humana através do Atlântico. Ela foi inspirada em uma revista italiana chamada “Cura”, e a ideia de trazê-la para o Brasil surgiu não de uma estratégia de mercado, mas de um “gesto de muita confiança e respeito” de sua fundadora italiana, Giulia Dapero.

Ao se conhecerem, Aline e Giulia perceberam que suas histórias eram “praticamente um espelho”. Ambas compartilhavam missões e desafios muito parecidos, incluindo uma coincidência marcante: desde a adolescência, ambas realizavam trabalho voluntário em ILPI — uma no Brasil com sua tia Valda (in memoriam), e outra na Itália, acompanhando seu pai Renato Dapero (in memoriam). Essa conexão profunda foi a semente do projeto.

Essa origem, mais pessoal do que comercial, define o propósito da revista: valorizar “as nossas raízes” e o “compromisso com a verdade no cuidado”. Ela nasce não de uma necessidade de negócio, mas de uma paixão compartilhada por dignificar a velhice e qualificar o cuidado, com uma base de confiança mútua.

Lições Surpreendentes Sobre o Cuidado de Pessoas Idosos que Vão Mudar Sua Perspectiva

Pensar em instituições de longa permanência para idosos (ILPI) costuma despertar ansiedade e preconceito. Para muitos, elas representam a “última opção”, um destino a ser evitado a todo custo, marcado por estigmas de abandono e isolamento. Essa imagem, infelizmente, ainda é forte em nosso imaginário coletivo.

Mas e se uma nova perspectiva estivesse surgindo — nascida não de planos corporativos, mas de um grito de socorro em meio a uma crise global, como a pandemia de Covid-19, que culminou na criação do movimento Frente Nacional de Fortalecimento às ILPI? Um movimento impulsionado por uma conexão humana tão profunda que foi como olhar em um “espelho” através do oceano.

A Revista Cuidar é uma iniciativa que se soma a centenas de profissionais pioneiros na área do envelhecimento para redefinir o que significa cuidar em uma ILPI, mostrando que a transformação começa com conexão, informação e, acima de tudo, propósito.

Este artigo revela algumas das lições mais impactantes e surpreendentes dessa nova abordagem ao cuidado, extraídas da entrevista realizada pelo renomado canal O Que Rola na Geronto, com Aline Salla fundadora da Revista Cuidar e membro fundadora e coordenadora de comunicação da Frente Nacional.

Associação Cuidadosa

Prepare-se para enxergar as ILPI sob uma nova luz.

Um “Grito” na Pandemia Gerou a Menor Taxa de Mortalidade do Mundo

A Frente Nacional de Fortalecimento às ILPI não nasceu de um plano estratégico, mas de um “grito” de socorro em abril de 2020, no auge do caos da pandemia de COVID-19. Testemunhando o cenário devastador na Itália, onde já residia, Aline Salla se juntou a profissionais no Brasil e liderando o movimento ao lado da Dra. Karla Giacomin para combater a desinformação e o medo que paralisavam as instituições brasileiras.

O que começou como um chamado de urgência se transformou em um movimento histórico de credibilidade e impacto. A Frente mobilizou mais de 1.500 profissionais voluntários, organizou mais de 250 lives e produziu mais de 20 e-books, alcançando mais de 750.000 pessoas com informações verdadeiras e protocolos adaptados da realidade italiana.

O resultado mais surpreendente e significativo foi, nas palavras de Aline, uma conquista histórica: o trabalho coletivo da Frente resultou em “uma menor taxa de mortalidade em LPI no mundo”. Essa conquista notável prova que a ação rápida, colaborativa e baseada em evidências pode ter um poder imenso, reforçando uma verdade profunda sobre o trabalho realizado:

nós não salvamos apenas vidas, salvamos histórias inteiras.

A Missão Não é Isolar, Mas “Colocar a Cultura em Círculo”

No site da revista, uma frase resume sua filosofia: “Estamos construindo uma ponte entre cidadãos e serviços para pessoas idosas, colocando a cultura em círculo.” A frase, poética e poderosa, carrega um significado prático e urgente.

A “ponte” representa a conexão essencial entre ILPI, famílias, sociedade e governos. A lógica é simples e irrefutável: um problema em uma instituição “respinga em todas” e o impacto é coletivo. Portanto, as boas práticas não devem ser segredos comerciais, mas sim um conhecimento que circula para o bem de todos. O “círculo” é a própria cultura do cuidado, a ideia de que as ILPI não devem ser “ilhas isoladas”, mas sim espaços de vida e comunidade, com portas abertas.

Essa missão exige competência e transparência, como ilustra a analogia impactante usada por Aline Salla para questionar a falta de preparo na gestão do cuidado:

Você colocaria sua mãe em um barco cujo capitão não sabe pilotar o navio?

Essa filosofia combate diretamente o estigma associado às ILPI, buscando transformá-las de um lugar que “não deve ser um hospital, nem um asilo e muito menos uma prisão” em um verdadeiro espaço de “vida, liberdade, comunidade”.

ILPI Não Devem Ser a Última Opção, Mas uma Ótima Escolha

O objetivo final dessas iniciativas vai além de apenas melhorar as instituições existentes; busca mudar fundamentalmente a percepção social sobre elas. A meta é provocar uma virada de chave no pensamento coletivo.

A diferença é crucial: uma ILPI não deve ser a “última opção, quando não tem mais nada”, mas sim “uma ótima opção, que eu possa escolher com satisfação”. Essa mudança de mentalidade é o antídoto contra o preconceito e a imagem de “depósitos de velhos” que ainda assombra muitas instituições.

Trata-se de um esforço alinhado a um movimento global pela dignidade na velhice, que entende ser preciso “mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à velhice e ao envelhecimento”. Somente quando as ILPI forem vistas como uma escolha positiva e qualificada, a sociedade terá realmente avançado no cuidado com as pessoas idosas.

O Cuidado é um Ato Coletivo

Seja através de uma frente nacional nascida na urgência da crise ou de uma revista inspirada em conexões humanas, a lição é clara: o futuro do cuidado das pessoas idosas depende de ações coletivas e da quebra de estigmas. A transformação não virá de iniciativas isoladas, mas da construção de pontes que unam conhecimento, propósito e comunidade. A reflexão final, então, é um chamado à ação para cada um de nós:

Quando foi a última vez que você pensou em conhecer a instituição de idosos do seu bairro, não por necessidade, mas por curiosidade e conexão? Talvez o nosso futuro esteja esperando por essa visita.

Assista a entrevista completa:

Artigos assinados por profissionais que são referências nacionais e internacionais, parceiros da ©Revista Cuidar.

One Comment

  1. Sonia Regina 03/12/2025 at 09:21 - Reply

    A revista é um presente para nós. Aprendo muito toda semana com vocês, e com a certeza que é um ensinamento através de pessoas que realmente sabem o que estão escrevendo e querem o melhor para nós que atuamos e principalmente aos idosos. A gente precisa valorizar essas iniciativas que não está na onda do querer se aparecer em cima da causa do envelhecimento, e totalmente focados no cuidado. Tanto é que vocês são um grupo que na hora que a bomba da covid estourou, fizeram e muito por todos nós. Obrigada por vocês segurarem nossas mãos.

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  1. Sonia Regina 03/12/2025 at 09:21 - Reply

    A revista é um presente para nós. Aprendo muito toda semana com vocês, e com a certeza que é um ensinamento através de pessoas que realmente sabem o que estão escrevendo e querem o melhor para nós que atuamos e principalmente aos idosos. A gente precisa valorizar essas iniciativas que não está na onda do querer se aparecer em cima da causa do envelhecimento, e totalmente focados no cuidado. Tanto é que vocês são um grupo que na hora que a bomba da covid estourou, fizeram e muito por todos nós. Obrigada por vocês segurarem nossas mãos.

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