Por: Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG

Autorizado e adaptado por Revista Cuidar®

As festas de fim de ano representam um momento único de reconexão afetiva e resgate de vínculos familiares. Nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), esse período ganha contornos ainda mais significativos, pois convida residentes, familiares e profissionais a compartilharem a construção de experiências que transcendem o cuidado cotidiano e alcançam a dimensão do afeto, da memória e do pertencimento.

Este artigo, enviado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), traz reflexões essenciais sobre a importância da participação ativa das pessoas idosas nas celebrações de fim de ano. Para a realidade das ILPI brasileiras, ampliamos essa perspectiva, reconhecendo que instituição e família formam uma rede de cuidado integrada, onde cada gesto de inclusão fortalece a dignidade, a identidade e o bem-estar emocional de quem envelhece longe de casa, mas nunca longe do direito ao acolhimento e à celebração da vida.

Participação em preparativos, lembranças de tradições e convivência familiar ajudam a promover acolhimento, saúde mental e novos vínculos entre gerações

As festas de fim de ano estão chegando e, com elas, aquela correria da compra dos presentes, a definição de quem preparará determinado prato e onde serão os encontros.

Embora naturalmente os mais jovens acabem assumindo essas responsabilidades, é de extrema importância que as pessoas idosas, principalmente as mais longevas, sejam incluídas e se sintam pertencentes ao grupo familiar. “O contato com a família é sempre importante, mas nesta época é essencial, pois é tempo de encontro de gerações, retomada de tradições familiares e construção de novas memórias”, afirma a psicóloga e integrante da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Valmari Cristina Aranha Toscano.

Ela explica que a participação da população 60+ nestas datas pode ser muito significativa para seus companheiros e descendentes. Segundo ela, relembrar histórias, fatos e comidas tradicionais da família, decorar a casa e escolher os presentes, por mais singelos que sejam, faz muito bem para a saúde física e mental dessas pessoas. “Estar entre os familiares também acolhe e acalenta saudades e ausências. Lembrar dos que já se foram pode ser mais suave se estivermos cercados de pessoas amadas.”

Associação Cuidadosa

Era tecnológica

É fato que a tecnologia de hoje facilita o dia a dia das pessoas. Por outro lado, deixou as relações interpessoais mais distantes, algo bastante sentido pelas pessoas idosas, justamente pelo fato de serem de outra geração, e cabe aos familiares mais jovens fazerem um “ajuste” na maneira de se fazer presente nesta época do ano, especialmente, para que todos se sintam pertencentes e usufruam da melhor maneira as festas. “Para que a confraternização seja especial, é preciso também deixar de lado diferenças, polarizações políticas, esportivas ou religiosas e deixar o espirito natalino ditar as regras do amor, da tolerância, do perdão e da alegria”, ressalta a psicóloga, ao revelar que sempre é tempo de mudar e esta é uma excelente oportunidade para se preparar para um ano novo melhor, deixando para trás ressentimentos, mágoas e hábitos que não fazem bem. “Independentemente do tamanho da família, incluir-se e incluir as pessoas idosas em todos os assuntos sempre será a melhor alternativa.”

Festas de Fim de Ano nas ILPI: Celebrando Vínculos que Transcendem Muros

Nas Instituições de Longa Permanência para Idosos, as festas de fim de ano assumem um significado profundo que vai além da celebração: representam oportunidades preciosas de fortalecimento de vínculos, ressignificação de memórias e promoção de saúde mental e emocional. Estudos nacionais e internacionais demonstram que o envolvimento social e a manutenção de tradições culturais estão diretamente associados à redução de sintomas depressivos, ao aumento da autoestima e à melhora da qualidade de vida de pessoas idosas institucionalizadas.

Para os familiares, este é o momento de renovar presença e afeto. Visitas regulares e participação em atividades festivas reduzem sentimentos de culpa e fortalecem a sensação de continuidade dos laços familiares. Trazer receitas tradicionais, fotografias antigas, músicas marcantes ou simplesmente dedicar tempo à escuta atenta das histórias dos residentes cria pontes entre passado e presente, reafirmando que a distância física não apaga a pertença afetiva.

Para os residentes, participar ativamente dos preparativos natalinos — seja ajudando a decorar os espaços, escolhendo músicas para a ceia, compartilhando memórias de festas passadas ou auxiliando em pequenas tarefas — resgata autonomia, propósito e identidade. Atividades significativas e relações intergeracionais promovem neuroplasticidade, estimulam funções cognitivas e combatem o isolamento social, um dos principais fatores de risco para declínio funcional e mortalidade em idosos. Sentir-se protagonista, e não apenas espectador, das celebrações é terapêutico e transformador.

Para os profissionais das ILPI, o desafio e a oportunidade residem em criar ambientes verdadeiramente acolhedores e personalizados. Isso significa conhecer as histórias de vida, respeitar as diversidades culturais e religiosas, adaptar comemorações às capacidades individuais e facilitar encontros seguros e afetivos entre residentes e familiares. A abordagem do cuidado humanizado, preconizada pelo Modelo de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa, reconhece que celebrar é cuidar, e que cada gesto de inclusão e escuta fortalece a dignidade humana.

É importante também reconhecer e valorizar aqueles que trabalham durante as festas de fim de ano. Estar presente na ILPI em datas tão simbólicas, muitas vezes distante da própria família, é um ato de generosidade e compromisso que merece ser honrado. São pessoas cuidando de pessoas, e esse cuidado mútuo precisa se estender também a quem cuida. Criar momentos de confraternização para as equipes, expressar gratidão, garantir escalas justas e proporcionar pequenos gestos de reconhecimento são formas de acolher quem dedica seu tempo e afeto para que outros não estejam sozinhos. Quando os profissionais se sentem valorizados e acolhidos, o ambiente inteiro se transforma, e o cuidado oferecido ganha ainda mais qualidade humana.

Que neste fim de ano as ILPI brasileiras se transformem em espaços de encontro real, onde residentes sejam reconhecidos como sujeitos de sua própria história, familiares e amigos se façam presentes com afeto renovado, e profissionais sejam celebrados como facilitadores de vínculos que honram a vida em todas as suas fases. Afinal, envelhecer com dignidade é também envelhecer celebrando, lembrando e sendo lembrado, nas pequenas e grandes festas que compõem a jornada humana, sempre ao lado de quem cuida com o coração.

Nota revista Cuidar:

Retornaremos com as publicações semanais a partir do dia 04/01.

Um super abraço e, mais uma vez, nosso agradecimento a cada um de vocês que nos acompanha, que contribui, que vive o cuidar com amor e propósito de vida. Que quer ser a mudança através da união e da coletividade.

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