O Manifesto Estratégico Sente-mente®, de Letizia Espanoli, chega ao Brasil em cartilha ilustrada gratuita — e abre caminho para a vinda do modelo ao país.
E se o maior obstáculo no cuidado das pessoas com demência não fosse a doença, mas a forma como olhamos para ela? É dessa pergunta que parte o Manifesto Estratégico Sente-mente®, escrito por Letizia Espanoli, criadora do modelo Sente-mente®. Escrito especialmente para o Meeting dos Profissionais de Cuidar, realizado pela Revista Cuidar em outubro de 2026, traduzido e adaptado para o português por Aline Salla, o texto convoca gestores e equipes de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) a uma mudança de cultura. E é o primeiro passo de uma novidade: a Revista Cuidar vai trazer o modelo Sente-mente® para o Brasil.
A identidade persiste
O manifesto começa desmontando uma ideia muito difundida: a de que a demência “rouba” a pessoa e deixa apenas uma “casca vazia”. Para a autora, essa narrativa é tóxica, porque justifica o desinvestimento profissional. A proposta é outra: a identidade não é apagada, apenas muda suas formas de expressão.
O “modo de ser” de cada um — a vontade de levantar cedo, o desejo de olhar pela janela, o jeito único de reagir ao mundo — permanece. “A perda da palavra não é perda de consciência”, afirma o texto. Cabe a quem cuida encontrar novas formas de reconhecer quem continua ali.
O documento também denuncia o que a australiana Kate Swaffer, que vive com demência, chama de “prescrição de desinvestimento”: o afastamento forçado da vida imposto logo após o diagnóstico, como a proibição de cozinhar ou dirigir. “O estigma é aquilo que nós pensamos deles”, resume o manifesto, “e é esse pensamento que constrói as grades da sua prisão cotidiana.”
Do “centro” para a direção
Uma das provocações mais fortes questiona a ideia de “pessoa no centro”, tão comum nos discursos institucionais. Se a pessoa está no centro, diz o texto, ela está parada, esperando que especialistas decidam por ela. A alternativa é o “Cuidado guiado pela pessoa”: trocar a lógica da proteção pela lógica do desejo e fazer da instituição um terreno fértil para aquilo que o residente ainda expressa, inclusive sem palavras.
Os erros que precisamos admitir
O manifesto não poupa práticas comuns no dia a dia das ILPI. O “Baby Speak” — chamar o residente de “queridinho” ou pedir “me dá a mãozinha” — é apontado como sinal de degradação profissional, por negar a história de um adulto. O uso de sedativos para controlar comportamentos é descrito como sintoma da incapacidade relacional da equipe. E a contenção física deve ser superada numa longa transformação organizacional rumo à “Contenção Zero”.
Uma troca de vocabulário resume a virada: deixar de falar em “distúrbios do comportamento” e passar a falar em “comportamentos indicativos”. Quando um residente grita, ele pode estar dizendo que sente dor de dente, que há barulho demais ou que precisa almoçar sozinho.
Uma cartilha para levar à equipe
Para que essas ideias cheguem a quem cuida, a Revista Cuidar transformou o manifesto Sente-Mente em uma cartilha ilustrada e gratuita. Além do texto integral, ela traz ilustrações para cada conceito, um glossário com as palavras menos comuns e uma roda de conversa com seis perguntas para reuniões de equipe, passagens de turno e formações. Assim, o manifesto deixa de ser leitura individual e vira ferramenta de formação coletiva.
Assista ao vídeo sobre o manifesto:
O Sente-mente® chega ao Brasil
A publicação do manifesto é só o começo. A Revista Cuidar vai trazer ao Brasil o modelo Sente-mente®, com adesão de instituições e treinamento de equipes. Segundo o próprio manifesto, o modelo é “a ponte operativa entre os valores e a ação”: a metodologia que permite não trair a visão no cotidiano.
As informações sobre como participar serão divulgadas em breve aqui na Revista Cuidar. Enquanto isso, baixe a cartilha, leve-a para a próxima reunião de equipe e comece a conversa.
Como lembra o manifesto, a dignidade e a identidade não são concessões que fazemos aos residentes, mas pilares não negociáveis da nossa profissionalidade.
Adultos Idosos
Eventos e cultura
O Manifesto Estratégico Sente-mente®, de Letizia Espanoli, chega ao Brasil em cartilha ilustrada gratuita — e abre caminho para a vinda do modelo ao país.
E se o maior obstáculo no cuidado das pessoas com demência não fosse a doença, mas a forma como olhamos para ela? É dessa pergunta que parte o Manifesto Estratégico Sente-mente®, escrito por Letizia Espanoli, criadora do modelo Sente-mente®. Escrito especialmente para o Meeting dos Profissionais de Cuidar, realizado pela Revista Cuidar em outubro de 2026, traduzido e adaptado para o português por Aline Salla, o texto convoca gestores e equipes de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) a uma mudança de cultura. E é o primeiro passo de uma novidade: a Revista Cuidar vai trazer o modelo Sente-mente® para o Brasil.
A identidade persiste
O manifesto começa desmontando uma ideia muito difundida: a de que a demência “rouba” a pessoa e deixa apenas uma “casca vazia”. Para a autora, essa narrativa é tóxica, porque justifica o desinvestimento profissional. A proposta é outra: a identidade não é apagada, apenas muda suas formas de expressão.
O “modo de ser” de cada um — a vontade de levantar cedo, o desejo de olhar pela janela, o jeito único de reagir ao mundo — permanece. “A perda da palavra não é perda de consciência”, afirma o texto. Cabe a quem cuida encontrar novas formas de reconhecer quem continua ali.
O documento também denuncia o que a australiana Kate Swaffer, que vive com demência, chama de “prescrição de desinvestimento”: o afastamento forçado da vida imposto logo após o diagnóstico, como a proibição de cozinhar ou dirigir. “O estigma é aquilo que nós pensamos deles”, resume o manifesto, “e é esse pensamento que constrói as grades da sua prisão cotidiana.”
Do “centro” para a direção
Uma das provocações mais fortes questiona a ideia de “pessoa no centro”, tão comum nos discursos institucionais. Se a pessoa está no centro, diz o texto, ela está parada, esperando que especialistas decidam por ela. A alternativa é o “Cuidado guiado pela pessoa”: trocar a lógica da proteção pela lógica do desejo e fazer da instituição um terreno fértil para aquilo que o residente ainda expressa, inclusive sem palavras.
Os erros que precisamos admitir
O manifesto não poupa práticas comuns no dia a dia das ILPI. O “Baby Speak” — chamar o residente de “queridinho” ou pedir “me dá a mãozinha” — é apontado como sinal de degradação profissional, por negar a história de um adulto. O uso de sedativos para controlar comportamentos é descrito como sintoma da incapacidade relacional da equipe. E a contenção física deve ser superada numa longa transformação organizacional rumo à “Contenção Zero”.
Uma troca de vocabulário resume a virada: deixar de falar em “distúrbios do comportamento” e passar a falar em “comportamentos indicativos”. Quando um residente grita, ele pode estar dizendo que sente dor de dente, que há barulho demais ou que precisa almoçar sozinho.
Uma cartilha para levar à equipe
Para que essas ideias cheguem a quem cuida, a Revista Cuidar transformou o manifesto Sente-Mente em uma cartilha ilustrada e gratuita. Além do texto integral, ela traz ilustrações para cada conceito, um glossário com as palavras menos comuns e uma roda de conversa com seis perguntas para reuniões de equipe, passagens de turno e formações. Assim, o manifesto deixa de ser leitura individual e vira ferramenta de formação coletiva.
Assista ao vídeo sobre o manifesto:
O Sente-mente® chega ao Brasil
A publicação do manifesto é só o começo. A Revista Cuidar vai trazer ao Brasil o modelo Sente-mente®, com adesão de instituições e treinamento de equipes. Segundo o próprio manifesto, o modelo é “a ponte operativa entre os valores e a ação”: a metodologia que permite não trair a visão no cotidiano.
As informações sobre como participar serão divulgadas em breve aqui na Revista Cuidar. Enquanto isso, baixe a cartilha, leve-a para a próxima reunião de equipe e comece a conversa.
Como lembra o manifesto, a dignidade e a identidade não são concessões que fazemos aos residentes, mas pilares não negociáveis da nossa profissionalidade.




