Na tarde de 8 de junho de 2024, Erminia Di Gianantonio, de 105 anos, votou sem sair da ILPI onde estava acolhida, em Calambrone, na Toscana. Foi a mesa eleitoral que viajou até ela. Neste domingo, 25 de outubro de 2026, dia do segundo turno no Brasil, das 8h às 17h, muitos moradores de ILPI vão depender de outra coisa: alguém que os leve até a urna.
Quase um em cada quatro eleitores
Segundo o ensaio de Yeda Duarte e Helena Watanabe, publicado em outubro no SciELO Preprints, 37,5 milhões de eleitores brasileiros têm 60 anos ou mais, 23,6% do total. Depois dos 70, votar é opcional, e reportagem do portal Viva informa, com dados do TSE, que perto de metade desse grupo deixou de votar no primeiro turno.
As autoras lembram que os idosos não formam um bloco que pensa e vota igual. Por isso, propõem cobrar dos candidatos metas, custos e responsáveis, e não apenas boas intenções.
A ILPI como casa
Mais de 160 mil pessoas vivem em ILPI no Brasil, segundo dados do IBGE de 2022 citados na mesma reportagem. Com bom cuidado, essa casa coletiva faz bem. Numa pesquisa com 130 residentes de quatro ILPI de Juiz de Fora e São Paulo, 59% disseram que ali era o melhor lugar para envelhecer, porque se sentiam seguros e acompanhados. A solidão também aparece, como mostrou um estudo com doze moradores publicado na Revista de Enfermagem da UFPE.
Votar ajuda a quebrar esse isolamento: é sair de casa, rever o bairro e continuar a ser ouvido.
O caminho até a urna
É no transporte que muitos ficam pelo caminho. A reportagem do Viva relata que os moradores costumam depender da família para sair, que muitas instituições não têm carro adaptado e que há locais de votação com escadas. No Amapá, quando o TRE levou de graça os moradores de uma ILPI até as seções, 18 deles votaram.
Existe ajuda prevista. O programa Seu Voto Importa, criado pela Resolução TSE 23.753/2026, oferece transporte gratuito a quem tem deficiência ou mobilidade reduzida e não consegue chegar à seção por conta própria. A idade conta quando dificulta esse deslocamento. O pedido deveria ser feito até 20 dias antes da eleição, mas, em 15 de outubro, o TSE permitiu que os TREs analisem pedidos fora do prazo quando houver condições locais. Não há garantia, por isso vale ligar ainda nesta semana para o cartório eleitoral.
Na seção, o TSE assegura fila preferencial a partir dos 60 anos e prioridade absoluta a partir dos 80, que vale também para o acompanhante. Quem tem mobilidade reduzida pode entrar na cabine com uma pessoa de confiança, se o presidente da mesa autorizar, e essa pessoa pode digitar os números.
Na Itália, a urna vai até o morador
As RSA (residências sanitárias assistenciais), nome das ILPI italianas, acolhem idosos que precisam de cuidados de saúde e de apoio no dia a dia. Nos cuidados de longa duração, o sistema público de saúde paga metade da diária, como prevê o artigo 30 da norma nacional de 2017. Se o morador acamado precisa de um exame que não pode ser feito na própria ILPI, a ambulância é gratuita, embora as regras variem entre as regiões.
Na eleição, a lógica se repete. Pela orientação oficial de 2024, quem mora em ILPI com estrutura de saúde interna vota na própria instituição, nas mesmas condições de quem está internado num hospital, desde que esteja inscrito naquele município. Em ILPI com menos de 100 leitos, uma mesa volante vai até o morador. Entre 100 e 199 leitos, funciona uma mesa especial. A direção da instituição envia o pedido à prefeitura até o terceiro dia antes da votação. No caso de Erminia, o pedido saiu em 1º de junho e a autorização veio três dias depois.
O que fazer até domingo
- Pergunte a cada morador se quer votar. Ter alterações cognitivas não tira, por si só, a capacidade de decidir, lembra o geriatra Paulo Villas Boas, da SBGG.
- Ligue para o cartório eleitoral e peça o transporte do Seu Voto Importa.
- Combine quem vai acompanhar cada eleitor.
Depois da apuração, a cobrança continua. Duarte e Watanabe sugerem que cada promessa diga qual problema enfrenta, para quem, com que entrega, sob responsabilidade de quem, a que custo e com qual indicador. Para as ILPI, isso significa médico da atenção primária atendendo dentro da casa, como já acontece em Inhumas (GO), transporte sanitário garantido e, por que não, a urna chegando até o quarto.
Erminia votou aos 105 anos. Nossos moradores também podem.
Adultos Idosos
Eventos e cultura
Na tarde de 8 de junho de 2024, Erminia Di Gianantonio, de 105 anos, votou sem sair da ILPI onde estava acolhida, em Calambrone, na Toscana. Foi a mesa eleitoral que viajou até ela. Neste domingo, 25 de outubro de 2026, dia do segundo turno no Brasil, das 8h às 17h, muitos moradores de ILPI vão depender de outra coisa: alguém que os leve até a urna.
Quase um em cada quatro eleitores
Segundo o ensaio de Yeda Duarte e Helena Watanabe, publicado em outubro no SciELO Preprints, 37,5 milhões de eleitores brasileiros têm 60 anos ou mais, 23,6% do total. Depois dos 70, votar é opcional, e reportagem do portal Viva informa, com dados do TSE, que perto de metade desse grupo deixou de votar no primeiro turno.
As autoras lembram que os idosos não formam um bloco que pensa e vota igual. Por isso, propõem cobrar dos candidatos metas, custos e responsáveis, e não apenas boas intenções.
A ILPI como casa
Mais de 160 mil pessoas vivem em ILPI no Brasil, segundo dados do IBGE de 2022 citados na mesma reportagem. Com bom cuidado, essa casa coletiva faz bem. Numa pesquisa com 130 residentes de quatro ILPI de Juiz de Fora e São Paulo, 59% disseram que ali era o melhor lugar para envelhecer, porque se sentiam seguros e acompanhados. A solidão também aparece, como mostrou um estudo com doze moradores publicado na Revista de Enfermagem da UFPE.
Votar ajuda a quebrar esse isolamento: é sair de casa, rever o bairro e continuar a ser ouvido.
O caminho até a urna
É no transporte que muitos ficam pelo caminho. A reportagem do Viva relata que os moradores costumam depender da família para sair, que muitas instituições não têm carro adaptado e que há locais de votação com escadas. No Amapá, quando o TRE levou de graça os moradores de uma ILPI até as seções, 18 deles votaram.
Existe ajuda prevista. O programa Seu Voto Importa, criado pela Resolução TSE 23.753/2026, oferece transporte gratuito a quem tem deficiência ou mobilidade reduzida e não consegue chegar à seção por conta própria. A idade conta quando dificulta esse deslocamento. O pedido deveria ser feito até 20 dias antes da eleição, mas, em 15 de outubro, o TSE permitiu que os TREs analisem pedidos fora do prazo quando houver condições locais. Não há garantia, por isso vale ligar ainda nesta semana para o cartório eleitoral.
Na seção, o TSE assegura fila preferencial a partir dos 60 anos e prioridade absoluta a partir dos 80, que vale também para o acompanhante. Quem tem mobilidade reduzida pode entrar na cabine com uma pessoa de confiança, se o presidente da mesa autorizar, e essa pessoa pode digitar os números.
Na Itália, a urna vai até o morador
As RSA (residências sanitárias assistenciais), nome das ILPI italianas, acolhem idosos que precisam de cuidados de saúde e de apoio no dia a dia. Nos cuidados de longa duração, o sistema público de saúde paga metade da diária, como prevê o artigo 30 da norma nacional de 2017. Se o morador acamado precisa de um exame que não pode ser feito na própria ILPI, a ambulância é gratuita, embora as regras variem entre as regiões.
Na eleição, a lógica se repete. Pela orientação oficial de 2024, quem mora em ILPI com estrutura de saúde interna vota na própria instituição, nas mesmas condições de quem está internado num hospital, desde que esteja inscrito naquele município. Em ILPI com menos de 100 leitos, uma mesa volante vai até o morador. Entre 100 e 199 leitos, funciona uma mesa especial. A direção da instituição envia o pedido à prefeitura até o terceiro dia antes da votação. No caso de Erminia, o pedido saiu em 1º de junho e a autorização veio três dias depois.
O que fazer até domingo
- Pergunte a cada morador se quer votar. Ter alterações cognitivas não tira, por si só, a capacidade de decidir, lembra o geriatra Paulo Villas Boas, da SBGG.
- Ligue para o cartório eleitoral e peça o transporte do Seu Voto Importa.
- Combine quem vai acompanhar cada eleitor.
Depois da apuração, a cobrança continua. Duarte e Watanabe sugerem que cada promessa diga qual problema enfrenta, para quem, com que entrega, sob responsabilidade de quem, a que custo e com qual indicador. Para as ILPI, isso significa médico da atenção primária atendendo dentro da casa, como já acontece em Inhumas (GO), transporte sanitário garantido e, por que não, a urna chegando até o quarto.
Erminia votou aos 105 anos. Nossos moradores também podem.





muito importante e necessário. será que as ILPIs se mobilizaram ou viraram alvo de campanhas desonestas e oportunistas?