Na rua Tomé de Souza, na City Lapa, zona oeste de São Paulo, um homem de 94 anos morreu de causas naturais. O carro funerário chegou. Fez o seu trabalho. Foi embora.

O vizinho ao lado filmou tudo pelo celular e postou nas redes sociais.

“Olha o absurdo que isso chegou, gente. Carro funerário saindo da casa aqui. Mais um defunto.”

Pare. Releia essa frase. Deixe ela pousar.

Um ser humano morreu. Alguém que teve um nome, uma história, pessoas que o amaram. E o que seu vizinho sentiu não foi tristeza, não foi sequer indiferença. Foi escárnio. Foi a necessidade de pegar o celular, apontar a câmera para o carro funerário e dizer, para quem quisesse ver: mais um defunto.

Essa cena, publicada pela Folha de S.Paulo em maio de 2026, não é um episódio isolado. É o retrato de uma sociedade que aprendeu a tratar o envelhecimento como inconveniência e a morte como problema de vizinhança. É o que acontece quando décadas de silêncio sobre a velhice finalmente mostram o seu rosto verdadeiro.

E o rosto é esse.

Associação Cuidadosa

Primeiro, vamos nomear o que está em jogo

Na Lapa, moradores de um bairro de alto padrão estão pressionando a prefeitura para retirar 40 ILPI do bairro. A prefeitura de São Paulo, sob gestão do prefeito Ricardo Nunes, está cedendo, multando as instituições em até R$ 13 mil e cassando seus alvarás de funcionamento.

Antes de qualquer coisa, é preciso nomear o que são essas instituições. ILPI significa Instituição de Longa Permanência para Idosos. Não é “asilo”. Não é “casa de repouso”. Esses são nomes populares que carregam o peso de outro tempo, quando envelhecer era sinônimo de abandono e essas instituições eram de fato depósitos humanos. Nomear certo não é burocracia. É o primeiro ato de respeito.

Uma ILPI é uma moradia coletiva. É uma residência, no sentido mais pleno da palavra. Seus moradores têm endereço ali. Recebem visitas ali. Dormem, acordam, brigam pelo controle do televisor, esperam a visita dos netos no fim de semana, fazem aniversário, criam amizades, plantam flores no quintal, e sim, morrem ali porque é a casa deles.

É a casa deles.

Agora pense numa coisa: se fossem 40 condomínios com moradores jovens naquela rua, alguém cogitaria retirá-los? Se um jovem de 30 anos morresse num apartamento da rua Tomé de Souza, o vizinho filmaria o carro funerário e chamaria de “mais um defunto”?

A resposta que você já sabe diz tudo sobre o que está acontecendo.

Tem um nome para isso

Há uma palavra técnica para o que esses moradores estão fazendo. Chama-se idadismo. É a discriminação por idade, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma das formas de preconceito mais generalizadas e menos combatidas do mundo. O Pequeno Manual Anti-Idadista, publicado em 2025 pelo Coletivo Velhices Cidadãs com 43 especialistas brasileiros em envelhecimento, é preciso: o idadismo raramente aparece com cara de ódio. Ele aparece como bom senso. Como “qualidade de vida do bairro”. Como “não é contra as pessoas idosas, é contra o incômodo”.

“É legal você chegar na tua casa e se deparar com carro funerário, com ambulância? Você quer acordar com essa gemeção? Com uma pessoa chorando, falando que vai morrer?” Essas são as palavras da presidente da associação de moradores, ditas com a tranquilidade de quem acredita estar do lado certo.

Mas o que ela está dizendo, sem perceber, é que a presença da velhice a incomoda. Que ver pessoas envelhecendo e morrendo perto dela a perturba. E que perturbação suficiente justifica, aos seus olhos, retirar essas pessoas de onde vivem.

Em 1970, a filósofa Simone de Beauvoir escreveu em “A Velhice” que a pessoa idosa é tratada pela sociedade como “objeto incômodo, inútil”, e que tudo o que se deseja é poder tratá-la como algo desprezível. Ela denunciava que isso não é acidente. É política. É o sintoma de uma sociedade que só reconhece o ser humano pela sua utilidade e produção econômica. Quando você não produz mais, quando você precisa de cuidado, quando o seu corpo mostra os sinais do tempo, você se torna um problema.

Cinquenta e seis anos depois, Beauvoir continua certa.

E de onde vem, no fundo, essa recusa? Do medo. A velhice incomoda porque é um espelho que ninguém pediu para colocar na rua. Ela nos lembra que somos vulneráveis, que o corpo tem um limite, que um dia talvez também precisemos de alguém. Ter uma ILPI como vizinha é a prova concreta de um futuro que preferimos não encarar.

As pessoas que vivem nessa casa

No Residencial Lar Aconchego, na mesma rua Tomé de Souza, vivem oito pessoas. A mais jovem tem 69 anos. A mais velha, 101.

Cento e um anos de vida.

As gestoras Fabiana de Oliveira e Daniela Azevedo fizeram boletim de ocorrência contra os vizinhos pelo assédio que sofreram. Uma caixa de som apontada para a casa tocando AC/DC em alto volume. Funcionárias constrangidas na rua. Os próprios moradores, perturbados em sua rotina, no lugar que é o lar deles.

No Residencial Recanto da Vila, na mesma rua, a gestora Simone de Sá conta que os fiscais chegaram dizendo que a casa não poderia funcionar ali. Que fizeram todas as defesas administrativas e que sempre foram negadas.

Enquanto você lê isso, essas pessoas idosas estão em algum cômodo dessas casas. Talvez dormindo. Talvez olhando pela janela. Talvez perguntando para a cuidadora quando a família vai chegar. Elas não sabem que viraram pauta de reunião de associação de moradores. Que foram chamadas de “incômodo”. Que um vizinho filmou o carro funerário do colega de quarto e chamou de “mais um defunto”.

E do outro lado, há quem sabe. A cuidadora que acordou às cinco da manhã, que deu banho, que penteou o cabelo, que segurou a mão daquele homem de 94 anos enquanto ele ainda estava aqui. Essa profissional não aparece nos vídeos postados nas redes sociais. Não virou manchete. Mas foi ela quem fez, com as próprias mãos, aquilo que a Constituição chama de dignidade.

Isso precisa doer em nós. E se não dói, é porque o idadismo já fez o seu trabalho.

O que está acontecendo, de fato

Não houve denúncia de maus-tratos. Nenhuma irregularidade sanitária foi apontada. O que motivou a pressão sobre essas ILPIs não foi o cuidado inadequado às pessoas que vivem nelas. Foi o incômodo dos vizinhos com a sua presença.

O que a lei diz, e o que o Estado está fazendo

O Estatuto da Pessoa Idosa, Lei 10.741 de 2003, atualizado pela Lei 14.423 de 2022, assegura à pessoa idosa, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à dignidade, ao respeito e à convivência comunitária. O artigo 230 da Constituição Federal de 1988 é explícito: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”

Participação na comunidade.

Não remoção. Não cassação de alvará. Não multa de R$ 13 mil entregue a uma ILPI porque moradores reclamam do carro funerário na rua.

E há um dado que não pode passar despercebido: segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), a rede pública municipal de ILPI em São Paulo soma 690 vagas de acolhimento. Para uma cidade com mais de 12 milhões de habitantes que envelhece em ritmo acelerado, esse número fala por si. O Estado não oferece o que a lei exige. Quando a sociedade civil constrói essas moradias com as próprias mãos, o mesmo Estado que não cumpriu sua parte aparece para multar e cassar alvará.

Isso também tem um nome. Chama-se abandono.

E tem uma dimensão que vai além da injustiça: é uma questão clínica. A gerontologia documenta com clareza que o deslocamento involuntário de pessoas idosas de sua moradia pode desencadear declínio funcional acelerado, depressão e desorientação. Para quem já vive em condição de fragilidade, essa ruptura pode ser irreversível. Retirar uma pessoa idosa do lugar onde vive não é apenas uma violação de direito. É um risco à sua vida.

É também o momento de deixar claro quem são, de fato, as ILPI deste país. Segundo o censo realizado pelo IPEA, referência nacional sobre o setor, 65,2% das ILPIs brasileiras são filantrópicas, 28,2% são privadas com fins lucrativos e apenas 6,6% são públicas. A maioria absoluta das ILPI do Brasil não é um negócio comercial. São organizações sem fins lucrativos, muitas delas mantidas por igrejas, associações comunitárias e voluntários, que cuidam das pessoas idosas mais vulneráveis do país com recursos escassos e dedicação silenciosa. O Censo do IBGE de 2022 aponta que mais de 160 mil pessoas vivem nessas instituições no Brasil.

Esses dados importam. Porque num debate como o da Lapa, onde narrativas distorcidas circulam com velocidade, informação correta e embasada em fontes sérias não é detalhe. É a diferença entre construir uma cultura do cuidado e demolir o que ainda existe dela.

E esses dados também expõem uma lacuna que pesquisadores renomados do envelhecimento no Brasil vêm denunciando há anos: não existe um cadastro nacional atualizado das ILPIs brasileiras. O censo de referência do setor, realizado pelo IPEA entre 2007 e 2009, tem quase vinte anos. As ILPI seguem sendo parte invisível do sistema, sem dados precisos, sem políticas públicas estruturadas, sem financiamento adequado. Sempre ficam para depois. Sempre são lembradas em momentos de crise, como agora, e esquecidas assim que a onda passa.

É por isso que a Revista CUIDAR ouve quem luta por esse setor há anos, sem modismos e sem interesses comerciais. O envelhecimento populacional virou pauta de mercado, de investimento, de negócios. E há espaço para tudo isso. Mas há uma diferença fundamental entre quem enxerga o envelhecimento como oportunidade financeira e quem o enxerga como questão de justiça social. As ILPI que estão sendo multadas na Lapa não precisam de mais um produto. Precisam de respeito, de política pública e de uma sociedade que decida, de uma vez, que envelhecer com dignidade não é privilégio de quem pode pagar por isso.

Do outro lado do oceano, uma outra escolha

Em Cremona, na Itália, há uma ILPI com 200 moradores. Em frente ao prédio, uma agência funerária. Isso não causa estranheza para eles. A morte faz parte da vida do bairro como qualquer outra coisa.

Dentro da ILPI, perto da recepção, há máquinas de café, de água, de biscoitos. Na hora do almoço, funcionários das empresas vizinhas entram para tomar um café por 80 centavos. Conversam com quem estiver sentado no saguão. Trocam algumas palavras com algum morador que passou pela recepção. Há três meses colocaram um piano e um violão lá. Às vezes alguém senta e toca. Quem prefere silêncio está nos outros andares.

O bairro não convive apesar da ILPI. O bairro convive com a ILPI, porque ela é parte do bairro. Seus moradores têm orgulho de estar ali, perto de onde sempre viveram. Integrados. Presentes. Visíveis.

Não há diferença arquitetônica entre esse prédio e qualquer outro prédio residencial. A diferença está apenas na cultura de quem o rodeia.

Isso é possível. Isso existe. Isso pode ser o Brasil, se escolhermos.

É hora das ILPI abrirem as portas

Parte dessa escolha depende de nós, das próprias ILPI.

Enquanto as portas ficarem fechadas, o medo continua preenchendo o espaço que o conhecimento deveria ocupar. A vizinhança que nunca entrou numa ILPI vai continuar imaginando um lugar de sofrimento e espera pela morte. Vai continuar achando que a presença de uma ILPI desvaloriza o bairro.

Mas quem já entrou numa ILPI sabe o que existe do lado de dentro. Sabe do vínculo entre a cuidadora e a moradora que ela banha todo dia com o mesmo cuidado há três anos. Sabe da gargalhada que explode no corredor durante o bingo de quinta-feira. Sabe do senhor que pede para ouvir Roberto Carlos antes de dormir. Sabe da família que chega no fim de semana e encontra a mãe mais bem cuidada do que conseguiria oferecer em casa. Isso é vida. Vida real, densa, cheia de significado.

E para as famílias que tomaram essa decisão com o coração partido, achando que estavam falhando: colocar alguém que você ama numa ILPI pode ser o ato mais corajoso e mais amoroso que existe. É reconhecer que o cuidado que essa pessoa merece vai além do que uma família sozinha consegue oferecer. Não é abandono. Nunca foi. É amor que encontrou o caminho certo.

Abrir as portas é um ato político. É dizer ao bairro: venha conhecer quem mora aqui. Venha tomar um café. Venha sentar e ouvir. Porque ninguém sai de uma conversa presencial com uma pessoa de 90 anos achando que ela é um objeto incômodo.

E as ILPI precisam parar de enfrentar essas pressões sozinhas. Uma rede que se comunica, que se apoia, que fala com uma voz comum quando os direitos das pessoas idosas são violados, é incomparavelmente mais forte do que 40 instituições tentando sobreviver sozinhas numa rua de São Paulo.

Uma revolta que começa aqui

Sêneca escreveu, há dois mil anos, em “Da Brevidade da Vida”, que a velhice surpreende as pessoas enquanto suas mentes ainda são infantis. Que chegam a ela despreparadas e desarmadas, sem ter percebido que estavam dela se aproximando dia após dia. Não envelhecemos num dia. Envelhecemos desde que nascemos. A velhice não é um destino distante. É o único destino certo que temos, desde a primeira respiração.

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (International Longevity Centre Brazil – ILC-BR), diz com a precisão de quem dedicou a vida a esse tema: “Envelhecer é um destino universal. A menos que você morra antes de ficar velho, o que não aconselho.”

Quem filmou o carro funerário na rua Tomé de Souza está envelhecendo agora, neste momento, enquanto segura o celular. Só não sabe.

O que acontece na Lapa não pode virar mais uma notícia que passa. Cada pessoa que vira a página está concordando, em silêncio, que pessoas idosas podem ser removidas de bairros como se fossem inconveniências. Cada profissional de saúde, da assistência, cada gerontólogo, cada geriatra, cada cuidador, cada gestor de ILPI que não se manifesta está deixando esse campo para quem grava “mais um defunto” e acha que está certo.

A Revista CUIDAR é a primeira revista nacional dedicada exclusivamente ao universo das ILPI. Somos uma semente de árvore com raízes: a luta pelo envelhecimento digno que nos move vem de propósito, de embasamento científico, de justiça social, sem qualquer interesse autopromocional. Existimos para contar as histórias que ficam de fora. Para mostrar que uma ILPI é um observatório privilegiado da vida, não da morte. Para construir, palavra por palavra, uma cultura do cuidar que esse país ainda não tem.

Não é sobre eu. É sobre nós. Se não nós, quem?

Por isso convocamos o coletivo. É preciso que gerontólogos, assistentes sociais, geriatras, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores, gestores, toda equipe multiprofissional, familiares e cada cidadão que já nasce envelhecendo some sua voz para que o que acontece na Lapa não se repita mais. Em lugar nenhum deste país.

Beauvoir dizia que a forma como tratamos as pessoas idosas revela quem somos como sociedade. Kalache lembra que todos chegamos lá, se tivermos sorte.

A City Lapa nos revelou algo que dói olhar. Cabe a nós decidir se vamos aceitar essa revelação, ou se vamos, juntos, construir algo diferente.

O que você pode fazer agora

Indignar-se é o começo. Agir é o que transforma.

Se você acredita que os direitos das pessoas idosas estão sendo violados, existem canais oficiais:

Disque 100 — canal nacional do Ministério dos Direitos Humanos, gratuito, disponível 24 horas, para denúncias de violações de direitos de pessoas idosas em todo o Brasil.

Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) — recebe denúncias de irregularidades que ameacem direitos coletivos das pessoas idosas. Acesse: www.mpsp.mp.br

Defensoria Pública do Estado de São Paulo / NEDIPED — Núcleo Especializado dos Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência. Atendimento jurídico gratuito. E-mail: [email protected]


Fonte: reportagem de Leandro Machado, Folha de S.Paulo, maio de 2026.
https://www1.folha.uol.com.br/amp/cotidiano/2026/05/moradores-pressionam-e-gestao-nunes-expulsa-casas-de-repouso-para-idosos-da-lapa.shtml

O que você pensa sobre isso?

E tem mais uma coisa que você pode fazer: falar. Contar a sua história nos comentários aqui.

Você conhece uma ILPI que enfrenta pressão dos vizinhos? Trabalha numa instituição que luta para manter as portas abertas? É familiar de uma pessoa idosa que encontrou em uma ILPI um lar de verdade? Ou simplesmente quer dizer o que pensa?

Este espaço é seu. A narrativa muda quando as pessoas que vivem esse mundo decidem falar. E nós estamos aqui, com raízes fincadas, para ouvir cada palavra.

About the Author: Aline Salla

CEO e Diretora Editorial da Revista Cuidar · Italo-brasileira. Co-fundadora da Frente-ILPI (2020). Ponte entre os sistemas de cuidado do Brasil e da Itália.

3 Comments

  1. Márcia Regina Sanção Mendes 27/05/2026 at 10:26 - Reply

    Sou coordenadora de um Lar de Idosos em BH, e toda vez que o SAMU ou o carro funerário precisam estar dentro da ILPI, a sensação que temos é exatamente o que retrata o artigo. Os vizinhos irão falar: “De novo”, “outra vez”.
    Isso porque durante a pandemia fomos julgados, excluídos e até hoje não recebemos o número de visitantes que recebíamos antes da pandemia. Hoje somos obrigados a ouvir que não visitam a Instituição por causa da COVID, e ai pergunto: A Covid foi culpa das Instituições?
    O cuidado é mais intenso, mas se caso aparecer um caso, será tratado. E nos ônibus, nos supermercados, parques, praças. Não existe nenhum vírus, nenhuma pessoa contaminada com qualquer coisa? Existe, mas não estão dentro dos nossos muros, então não tem problemas. O problema é somente dentro das ILPI’s.

  2. Iride Cristofoli Caberlon 27/05/2026 at 10:38 - Reply

    Excelente, com ótimas reflexoes e fundamentado com um arcabouço jurídico legal . cujo idadismo está arraigado cultura e social nas pessoas jovens e adultas, levando a exclusão as pessoas idosas e as tratam como objetos em vez de dignidade, respeito e autonomia e seus cuidadores e familiares com discriminação.

  3. Raquel Garcia 27/05/2026 at 15:28 - Reply

    Eu chorei lendo. Minha mãe mora em uma casa de idosos, ela precisa estar lá. Quanta crueldade. Velho não é vírus.

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3 Comments

  1. Márcia Regina Sanção Mendes 27/05/2026 at 10:26 - Reply

    Sou coordenadora de um Lar de Idosos em BH, e toda vez que o SAMU ou o carro funerário precisam estar dentro da ILPI, a sensação que temos é exatamente o que retrata o artigo. Os vizinhos irão falar: “De novo”, “outra vez”.
    Isso porque durante a pandemia fomos julgados, excluídos e até hoje não recebemos o número de visitantes que recebíamos antes da pandemia. Hoje somos obrigados a ouvir que não visitam a Instituição por causa da COVID, e ai pergunto: A Covid foi culpa das Instituições?
    O cuidado é mais intenso, mas se caso aparecer um caso, será tratado. E nos ônibus, nos supermercados, parques, praças. Não existe nenhum vírus, nenhuma pessoa contaminada com qualquer coisa? Existe, mas não estão dentro dos nossos muros, então não tem problemas. O problema é somente dentro das ILPI’s.

  2. Iride Cristofoli Caberlon 27/05/2026 at 10:38 - Reply

    Excelente, com ótimas reflexoes e fundamentado com um arcabouço jurídico legal . cujo idadismo está arraigado cultura e social nas pessoas jovens e adultas, levando a exclusão as pessoas idosas e as tratam como objetos em vez de dignidade, respeito e autonomia e seus cuidadores e familiares com discriminação.

  3. Raquel Garcia 27/05/2026 at 15:28 - Reply

    Eu chorei lendo. Minha mãe mora em uma casa de idosos, ela precisa estar lá. Quanta crueldade. Velho não é vírus.

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