Nota Editorial
Em 2025, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu como tema do Dia Internacional da Pessoa Idosa “As Pessoas Idosas Impulsionam Ações Locais e Globais: As Nossas Aspirações, o Nosso Bem-Estar e os Nossos Direitos”. Essa perspectiva dialoga com os cuidados médicos, físicos, nutricionais e sociais apontados pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a quem agradecemos pela valiosa contribuição em reforçar que envelhecer bem é preservar autonomia e funcionalidade. Nas ILPI, esse protagonismo se concretiza em espaços que estimulam vínculos, decisões compartilhadas e projetos intergeracionais, transformando essas instituições em centros de cidadania e participação. Assim, ao lado da SBGG, reafirmamos: a longevidade só faz sentido quando vivida com dignidade, voz ativa e qualidade de vida.
Especialistas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destacam cuidados médicos, físicos, nutricionais e sociais para garantir qualidade de vida e autonomia à população 60+.
Data criada para conscientizar a sociedade sobre as questões do envelhecimento, a importância de proteger e cuidar da população idosa e garantir os direitos e participação plena na sociedade, o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, é uma excelente oportunidade para destacar alguns pontos, como a questão da longevidade.
Projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que para as próximas décadas, a expectativa de vida deve chegar a 77,8 anos em 2030; a 79,7 anos em 2040; a 81,3 anos em 2050; a 82,7 anos em 2060 e a 83,9 anos em 2070. O fato é que o aumento da longevidade é consequência de uma série de fatores, como a melhoria na alimentação, a prática de exercícios físicos e os avanços da medicina. Em 2070, espera-se que 37,8% dos habitantes do país sejam idosos, mais do que o dobro de hoje.
De acordo com o geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dr. Leonardo Oliva, a longevidade não depende apenas de se evitar doenças, mas sim de preservar a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida. Ele explica que os principais cuidados que a população 60+ deve ter com a saúde incluem manter um acompanhamento médico regular e tratar possíveis doenças crônicas, manter uma atividade física regular, cuidar da nutrição e do sono, cuidar da saúde mental, controlar o estresse, não beber e não fumar e manter vínculos sociais. “O aumento da expectativa de vida se dá por uma combinação de fatores que incluem desde a melhoria das condições sanitárias, avanços na medicina, especialmente relacionados às vacinas, antibióticos, controle de doenças cardiovasculares, controle e tratamento dos cânceres e maior conscientização sobre estilo de vida saudável”, comenta, ao revelar que esse aumento da expectativa de vida no Brasil provocou um envelhecimento populacional acelerado, dobrando a população idosa de 7% para 14% em pouco mais de duas décadas.
Geriatra: quando procurar?
Segundo Dr. Oliva, a idade certa para se procurar um geriatra é quando a pessoa decide que quer envelhecer bem. Ele afirma que não existe um marco etário para iniciar o acompanhamento geriátrico, mas que muitas pessoas imaginam que só podem ir ao geriatra após os 60 anos, o que não é verdade. “O geriatra tem um papel importante na saúde dos indivíduos mais jovens. Começamos a envelhecer por volta dos 30, 35 anos e para essa população o geriatra acaba ajudando a tomar decisões ao longo da vida, que influenciarão como essas pessoas chegarão à terceira idade”, diz, ao comentar que aproximadamente 20% de como a pessoa envelhecerá está relacionada com a parte genética e outros 20% pelo ambiente em que se vive e os outros 60% pelas escolhas tomadas com o auxílio do geriatra. “É importante entendermos que o envelhecimento é um processo heterogêneo. As pessoas envelhecem de maneira diferente e não existe um ‘pacote fixo’ de exames que devem ser realizados por todos. Existem os mais comuns e os chamados de rotina, a cada um ou dois anos, a depender da idade e das condições clínicas do paciente e do histórico familiar, que são importantes do ponto de vista da saúde cardiovascular e na detecção precoce de cânceres.”
No entanto, para se ter uma longevidade bem-sucedida, é necessário um acompanhamento de outros profissionais da área da saúde, especialistas em gerontologia, como fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros, cabendo ao geriatra o gerenciamento e a coordenação desses cuidados.
Trabalho integrado
A fisioterapeuta e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG, Dra. Isabela Azevedo Trindade, explica que a longevidade depende de três pilares principais: manter-se fisicamente ativo; preservar vínculos sociais e cuidar da saúde e dentre as atividades físicas mais indicadas, ela cita a musculação, a caminhada, a hidroginástica, o pilates, o alongamento e os exercícios de equilíbrio. “O ideal é combinar atividades aeróbicas, de força e de flexibilidade, com prática de três a cinco vezes por semana, sempre com orientação profissional para evitar lesões.”
Ela comenta também que a pessoa idosa deve se atentar para possíveis acidentes dentro e fora de casa. De acordo com ela, os maiores riscos estão relacionados a quedas. “Dentro de casa, geralmente, a queda é provocada por tapetes soltos, má iluminação e ausência de barras de apoio. Já no lado de fora, o problema está relacionado a irregularidades no piso, trânsito e aglomerações”, relata, ao afirmar que a pessoa idosa deve utilizar, se necessário, uma bengala ou andador para facilitar a locomoção, assim como ter a visão e a audição avaliadas regularmente e utilizar roupas confortáveis, que não limitem os movimentos, e sapatos fechados, antiderrapantes e firmes. “Interromper a prática de atividades físicas, automedicar-se, resistir a adaptações na casa e acreditar que envelhecer significa se isolar são os principais erros que a pessoa idosa costuma cometer”, comenta.
A parte nutricional merece destaque especial. Afinal, o alimento tem um papel importante na longevidade. para se ter uma vida mais longeva, é preciso atenção. A nutricionista especialista em gerontologia e membro do conselho consultivo da SBGG, Dra. Simone Fiebrantz Pinto, explica que a hidratação é fundamental, mas que muitas vezes acaba sendo “esquecida”, o que não é o correto, segundo ela, já que não se pode esperar a sensação de sede para beber água, que é difícil de o idoso sentir. “Existe uma conta para se chegar à hidratação correta. São 30 mililitros multiplicados pelo peso da pessoa. Por exemplo, se ela pesa 75 quilos, precisa ingerir, ao longo do dia, dois litros e duzentos e cinquenta mililitros de líquidos, que podem ser água, água com gás, água saborizada com folhas de hortelã ou lascas de frutas, e chás”, revela a nutricionista, ao comentar que os alimentos mais recomendados são as proteínas animais (carnes, leite, ovos e peixes) e vegetais (leguminosas). Dra, Simone explica que elas podem ser distribuídas em todas as refeições, pensando em 30 gramas de proteína por porção. “Importante ressaltar que as proteínas precisam ser de 1,2 grama a 1,5 grama por quilo de peso. Assim, essa pessoa de 75 quilos, precisa consumir entre 90 gramas e 112 gramas por dia.”
Para imunidade e garantir o melhor funcionamento do intestino, a nutricionista indica o consumo de 350 gramas a 500 gramas por dia entre frutas e legumes, além de consumir 30 gramas de sementes oleaginosas (nozes, castanhas, amendoim) também diariamente. “Comer bem é ter proteínas em todas as refeições, tendo uma boa variedade de alimentos no dia a dia, com a consistência estar adequada para cada necessidade”, diz, ao ressaltar que quando avaliado pelo nutricionista que não está atingindo o consumo adequado de micro e macro nutrientes, pode ser orientado a inclusão de suplementos. “O grande erro é usá-los por autoprescrição. Consultar um profissional é fundamental.”
A importância da saúde mental
Manejo do estresse, fortalecimento da autoestima e do sentimento de autoeficácia, por meio do aprendizado de coisas novas, manter vínculos de amizades, criar novas relações sociais e ter propósitos de vida, por exemplo, são fundamentais para longevidade, de acordo com a psicóloga especialista em gerontologia, Dra. Cecília Galetti, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seccional Paraná, que comenta que não cultivar as amizades ao longo da vida, não manter vínculos positivos com a família e não ter atividades de lazer são os principais erros cometidos, que prejudicam a saúde mental. “A família da pessoa idosa tem um papel importante nesse processo, mantendo uma dinâmica que gere o senso de pertencimento, valorização e reconhecimento do seu papel dentro da família, tratando esse idoso conforme suas capacidades, e não como incapaz, além de não infantilizá-lo”, explica, ao citar o idadismo, a desqualificação e a desvalorização da pessoa como as principais ameaças à saúde mental da população 60+.
Sobre a SBGG
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), fundada em 16 de maio de 1961, é uma associação civil sem fins lucrativos que tem como principal objetivo congregar médicos e outros profissionais de nível superior que se interessem pela Geriatria e Gerontologia, estimulando e apoiando o desenvolvimento e a divulgação do conhecimento científico na área do envelhecimento. Além disso, visa promover o aprimoramento e a capacitação permanente dos seus associados, contribuindo para um envelhecimento humano, digno e saudável.
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2 Comments
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Achei muito necessário, principalmente para as famílias entenderem alguns pontos e um caminho a seguir nas ilpis
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Excelente! Claro e objetivo!











Achei muito necessário, principalmente para as famílias entenderem alguns pontos e um caminho a seguir nas ilpis
Excelente! Claro e objetivo!