A incontinência urinária é uma realidade presente no cotidiano das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), afetando significativamente a qualidade de vida dos residentes. Mais do que um desafio técnico, trata-se de uma questão delicada que envolve dignidade, autoestima e bem-estar emocional. Para as pessoas idosas, a perda do controle urinário pode gerar sentimentos de vergonha e humilhação. Para os cuidadores, representa um desafio que exige conhecimento, sensibilidade e, acima de tudo, empatia.

O primeiro passo para um cuidado eficaz é compreender que a incontinência urinária não é uma escolha, mas uma condição que merece respeito e atenção. Quando um residente solicita ir ao banheiro, é fundamental responder com prontidão e empatia, evitando respostas negativas como “de novo? ou “mas você já está usando fraldas”. Essas falas, mesmo que ditas sem intenção de magoar, podem aprofundar o constrangimento e minar a confiança da pessoa idosa na equipe de cuidados.

Comunicação: Além das Palavras

Nem todos os residentes conseguem verbalizar suas necessidades. Estar atento à comunicação não verbal é essencial. Agitação, inquietação ou comportamentos inesperados podem ser sinais de desconforto ou vontade de usar o banheiro. A observação cuidadosa permite antecipar necessidades e prevenir episódios de incontinência.

Para aqueles que esquecem de ir ao banheiro, estabelecer uma rotina pode fazer toda a diferença. Oferecer ajuda gentilmente, sugerindo visitas regulares em momentos estratégicos – após as refeições, antes de dormir ou a cada duas horas – ajuda a criar um padrão que traz segurança e reduz acidentes.

Mesmo quando o residente necessita de auxílio para se levantar e chegar ao banheiro, é fundamental preservar sua privacidade. Ofereça o suporte necessário, mas permita que a pessoa realize suas necessidades fisiológicas sozinha, sempre que possível. Esse gesto simples demonstra respeito e contribui para manter a autoestima da pessoa. 

Higiene: Cuidados Essenciais

A higiene adequada é fundamental para prevenir complicações. Após o uso do banheiro, é importante lavar cuidadosamente as partes íntimas. No caso de mulheres idosas, a região do períneo requer atenção especial devido à fragilidade decorrente do climatério – evite esfregar com força para reduzir o risco de lesões e infecções urinárias.

Para pessoas com hemorroidas, prefira o uso de duchinha higiênica ao papel higiênico, minimizando o risco de sangramentos. Os cuidadores devem sempre usar luvas durante a limpeza e lavar as mãos após o procedimento.

Associação Cuidadosa

Hidratação e Incontinência Noturna

Para casos de incontinência noturna, reduzir a ingestão de líquidos algumas horas antes de dormir pode ajudar. Porém, é crucial garantir hidratação adequada durante o dia: cerca de 1,6 litros para mulheres idosas e 2 litros para homens idosos. A desidratação pode provocar constipação, infecções urinárias, pneumonias, quedas, confusão mental e outras complicações graves.

O Uso Adequado de Fraldas

Um erro comum e prejudicial é utilizar duas fraldas geriátricas sobrepostas ou um absorvente dentro da fralda. Essa prática causa extremo desconforto, prejudica a mobilidade, aumenta custos e o impacto ambiental. Além disso, eleva a temperatura e umidade local, favorecendo o desenvolvimento de Dermatite Associada à Incontinência (DAI) e lesões por pressão.

A solução é investir em fraldas de qualidade, com alta absorção e ajustadas corretamente ao corpo do residente. Escolha produtos adequados ao nível de incontinência e siga as orientações do fabricante.

Medidas de Conforto

Pequenos gestos podem facilitar o processo. Sons suaves, como o de água corrente, podem ajudar a relaxar e estimular a micção de forma natural e não farmacológica.

O cuidado que respeita a dignidade e individualidade, transforma a rotina das ILPI. Ao adotarmos práticas acolhedoras e com técnicas, não apenas gerenciamos a incontinência urinária, mas oferecemos para as pessoas o que elas mais merecem: cuidado com profissionalismo, respeito e dignidade.

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About the Author: Aline Salla

Fundadora e Diretora editorial da Revista Cuidar. Coordenadora de Comunicação e membro fundadora da Frente nacional de fortalecimento às ILPI, MBA em Comunicação e Marketing, Gestão de Tecnologia da Informação, Certificado de aluna especial, em: Análise de Dados científicos em gerontologia - USP Each, Inovação na Longevidade: Gerontecnologia - UNIFESP, Curso avançado em Gerontologia - SBGG, Cursos complementares na Itália na área de Digital marketing, comunicação e envelhecimento. Pesquisadora e professora universitária convidada - USP e Ensino Albert Einstein. Palestrante em eventos brasileiros e italianos abordando assuntos relacionados às ILPI, Gerontologia e Gerontecnologia. Membro da SIGG - Sociedade Italiana de Geriatria e Gerontologia.

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