Querida comunidade da Revista Cuidar,

Escrevo esta carta com a sensação de quem viu um sonho ganhar corpo, voz e, principalmente, coração.

Se pudéssemos resumir os últimos meses em uma única imagem, seria a de uma ponte. Não uma ponte de concreto, mas uma feita de palavras, olhares e uma corajosa parceria transatlântica que começou a ganhar voz oficial em 24 de abril de 2025.

A nossa narrativa começou com um incômodo necessário. Os primeiros artigos de 2025 não pediram licença; eles questionaram. Perguntamos ao Brasil: “O que vemos quando olhamos para uma ILPI?”. Descobrimos, através de relatos de gestores e cuidadores, que o maior inimigo é a invisibilidade.

Retrospectiva Especial de Final de Ano – Revista Cuidar

Nesta primeira fase, a Revista Cuidar funcionou como um espelho. Mostramos que por trás dos muros das instituições existem biografias pulsantes, cuidados com técnica e humanidade, e uma sabedoria que a pressa do mundo insiste em ignorar.

No meio do ano, a narrativa ganhou contornos de urgência. Através de colunas técnicas e artigos de opinião contundentes, enfrentamos o grande dilema:

Como manter a segurança clínica sem transformar a casa em um hospital?

Reduzir a “Institucionalização”: Eliminar rotinas rígidas que lembram hospitais (como horários fixos de banho para todos) e devolver o poder de escolha ao idoso.

Por isso, navegamos por textos que desafiaram a “ditadura da segurança” — aquela que, na justificativa de evitar acidentes, acaba por anular a autonomia e a alegria de viver.

Provocamos a reflexão: até quando iremos utilizar o modelo asilar para justificar a perda da identidade? Nossa defesa é pelo cuidado que minimiza perigos sem sequestrar a autonomia, permitindo que o residente continue sendo o protagonista de seus próprios passos.

O Clímax: A Gentileza como Tecnologia de Ponta

O ponto de virada da nossa história em 2025 foi a descoberta da “Gentileza que Protege”. Ao analisarmos as práticas de sucesso relatadas no concurso, percebemos que o cuidado de excelência não estava nos equipamentos mais caros, mas na “Economia do Presente”.

Os artigos que mais ecoaram foram aqueles que trataram do toque, da escuta ativa e do olhar.

Aprendemos que os profissionais do cuidado são “artistas do cotidiano”, capazes de transformar um banho em um momento de dignidade e uma refeição em um ato de comunhão. A Revista Cuidar deu nome a esses “heróis anônimos”, os Números Zero, que sustentam o mundo com a alegria das relações.

O Enfrentamento Político e Técnico

Não fomos apenas poesia; fomos resistência. 2025 foi o ano de denunciar o “Retrocesso que Ninguém Quer Ver”. A revista serviu de palco para o debate sobre a necessidade de financiamento público, a profissionalização urgente e o combate ao preconceito governamental. Com colunistas de peso, defendemos que cuidar bem de quem envelhece é um dever civilizatório e uma urgência política que o Brasil não pode mais adiar.

Foi o momento em que juntamente com centenas de leitores, nos fundimos em vozes consolidadas e a Revista Cuidar se transformou em uma ferramenta de resistência técnica, provando que humanização não é “perfumaria”, mas a mais alta forma de competência profissional.

O Desfecho (ou um Novo Começo): A Morte como Conselheira da Vida

Ao chegarmos ao final de 2025, a narrativa tornou-se mais profunda e silenciosa. Não fugimos da finitude. Os artigos sobre o luto e a passagem final não trouxeram tristeza, mas uma solenidade necessária.

Ensinamos e aprendemos que honrar a morte é a forma mais sublime de celebrar a vida que foi vivida naquela instituição.

Epílogo: 2026 nos Espera

Com mais de 100 sementes plantadas em formato de artigos, encerramos o ano com a certeza de que a ponte entre Brasil e Itália encurtou o caminho para um cuidado mais humano. A Revista Cuidar termina 2025 não apenas como uma publicação, mas como o coração pulsante das ILPI.

Agradecemos imensamente aos colunistas familiares, gestores, profissionais nacionais e internacionais que abraçaram o propósito e fizeram parte deste momento na história das ILPI em nosso país.

Agradecemos a cada um de vocês — gestores, cuidadores, familiares e residentes — que leram, compartilharam e, acima de tudo, aplicaram nossas reflexões no “chão da casa”.

Se 2025 foi o ano de nascer, 2026 será o ano de florescer.

E esse florescimento já tem um novo marco: o MPC 2026 (Meeting Profissionais do Cuidar), que acontecerá em outubro, em plena primavera. Será o momento de nos encontrarmos presencialmente para transformar reflexão em abraço e técnica em presença.

Deixamos de ser apenas um portal para nos tornarmos um estado de espírito.

Afinal, se não nós, quem?

Com admiração e esperança,

Aline Salla –
Fundadora e Diretora Editorial em nome de toda a Equipe da Revista Cuidar

Artigos assinados por profissionais que são referências nacionais e internacionais, parceiros da ©Revista Cuidar.

2 Comments

  1. Iride 31/12/2025 at 08:34 - Reply

    Excelente artigo relatando reflexões, visibilidade do quotidiano do cuidado humanizado dos profissionais em prol de inúmeras pessoas idosas em ILPIS que precisam diariamente da ajuda, apoio, olhar, toque e atenção para garantir direitos humanos e sociais , cidadania, respeito, dignidade , autonomia e saúde física, mental e social. Relata tb a luta das equipes profissionais travada a cada dia para mudar a visão cultural dessas ILPIs pela sociedade, a necessidade urgente do do poder público em assumir a responsabilidade do em criar políticas públicas de estado com financiamento adequado e continuo em relação a estas pessoas, profissionais e estrutura dessas instituições.
    Amei este e a todos os demais artigos.
    Parabéns a todos que produziram esta renovação e que fizeram e farão a diferença nesta caminhada em prol do cuidado humanizado dessas múltiplas velhices!💋💋❤️❤️🙏🙏

  2. Célia Cristina Henriques Viana Pinto 31/12/2025 at 09:33 - Reply

    Excelente! Uma retrospectiva baseada em fatos reais, vividos por um segmento importante, mas nem sempre valorizado.
    A todos da Revista Cuidar e ILPIS do Brasil e Itália, um 2026 repleto de novidades e consolidação de práticas humanizadas

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2 Comments

  1. Iride 31/12/2025 at 08:34 - Reply

    Excelente artigo relatando reflexões, visibilidade do quotidiano do cuidado humanizado dos profissionais em prol de inúmeras pessoas idosas em ILPIS que precisam diariamente da ajuda, apoio, olhar, toque e atenção para garantir direitos humanos e sociais , cidadania, respeito, dignidade , autonomia e saúde física, mental e social. Relata tb a luta das equipes profissionais travada a cada dia para mudar a visão cultural dessas ILPIs pela sociedade, a necessidade urgente do do poder público em assumir a responsabilidade do em criar políticas públicas de estado com financiamento adequado e continuo em relação a estas pessoas, profissionais e estrutura dessas instituições.
    Amei este e a todos os demais artigos.
    Parabéns a todos que produziram esta renovação e que fizeram e farão a diferença nesta caminhada em prol do cuidado humanizado dessas múltiplas velhices!💋💋❤️❤️🙏🙏

  2. Célia Cristina Henriques Viana Pinto 31/12/2025 at 09:33 - Reply

    Excelente! Uma retrospectiva baseada em fatos reais, vividos por um segmento importante, mas nem sempre valorizado.
    A todos da Revista Cuidar e ILPIS do Brasil e Itália, um 2026 repleto de novidades e consolidação de práticas humanizadas

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